Modelo Holístico (Oriental) x Analítico (Ocidental)

Modelo Holístico (oriental) x Analítico (ocidental)

Os asiáticos (orientais) usam o modelo holístico para explicar, isto é, eles tendem a examinar o campo inteiro, atribuindo a ele a causalidade dos eventos. Eles fazem pouco uso de categorias (do individual), bem como da lógica formal. Para explicar os eventos eles confiam no raciocínio dialético; examinam os dois lados da situação.

Os ocidentais (homens americanos, principalmente), por outro lado, são mais analíticos, colocam mais atenção nos objetos isolados e nas categorias às quais eles pertencem (“lápis”; objeto para escrever) e, além disso, usam regras para incluir e deduzir, como a lógica formal para compreender a conduta do objeto, incluindo o homem.

Portanto, há considerável diferença para captar, observar e, consequentemente, explicar os eventos ou comportamentos e as várias comunidades. Isso forçosamente irá afetar não somente suas crenças acerca de aspectos específicos do mundo, mas também a natureza de seu processo cognitivo, isto é, a maneira pela qual eles conhecem o mundo. Mais especificamente, organizações sociais diferentes dirigem suas atenções para alguns aspectos de um campo em detrimento de outro. Assim, o que é examinado como importante numa cultura vai influenciar suas crenças acerca da natureza do mundo e acerca das causalidades desse. De outra forma: as crenças mais arraigadas e profundas populares de culturas diferentes (ocidentais e orientais) diferem acerca do que é importante para se conhecer e como o conhecimento dessas coisas poderá ser obtido.

Por tudo isso, as diferentes crenças irão ditar tanto o desenvolvimento como a aplicação de somente alguns processos cognitivos em detrimento de outros. A organização social e as práticas sociais podem diretamente afetar a plausibilidade das afirmações, como, por exemplo, se a causalidade seria olhada como residindo num campo versus a que afirma a causalidade no objeto (“Bush está destruindo os Estados Unidos”.).

A Grécia antiga – Individualismo (Agência Pessoal)

Uma das mais notáveis características da Grécia antiga (Iônicos e Atenienses em particular) era a locação do poder no indivíduo. As pessoas ordinárias desenvolviam um sentido de agência pessoal que não havia acontecido em outras gerações anteriores. A definição de felicidade para os gregos era “o exercício dos poderes vitais através das linhas de excelência na vida...”. Para alcançar a “felicidade” os gregos acreditavam na influência dos deuses (intervenção divina) e, também, numa ação humana independente, isto é, para eles as duas trabalhavam juntas.

A vida diária dos gregos estava imbuída com um sentido de escolha do indivíduo (“Eu quero...”), pois eles não contavam com a restrição social. A idéia do estado Ateniense era a união de indivíduos livres capazes de desenvolverem seus próprios poderes e viverem suas vidas conforme suas próprias escolhas quanto à maneira de ser. Eles acreditavam obedecer somente às leis criadas e promulgadas por eles mesmos, normas que podiam ser criticadas e mudadas conforme seus desejos.

Homero enfatizava que, além de ser um guerreiro valioso, a mais importante habilidade de um homem era ser um grande debatedor. Mesmo as pessoas comuns participavam dos debates da praça do mercado e das assembléias políticas e podiam até mesmo desafiar o rei.

Um aspecto da civilização grega importante para todos nós foi seu sentido de curiosidade acerca do mundo e a pressuposição que esse podia ser compreendido através da descoberta de regras que regessem os eventos. De outro modo, podíamos criar normas capazes de englobar os eventos em categorias, bem como descobrir suas relações. Partindo desses pressupostos, os gregos, especulando acerca da natureza dos objetos e eventos que os circundavam, foram capazes de criar modelos a respeito do meio ambiente onde viviam; uma pré-ciência.

A construção desses modelos foi elaborada a partir da categorização de objetos e acontecimentos e, também, criando regras visando a descrição sistemática, a predição e a explicação dos fatos. Foram essas inovações com respeito à maneira de pensar ou de conhecer a realidade que possibilitaram novas descobertas no campo da Física, Astronomia, Matemática, Geometria, lógica formal, Filosofia Racional, História Natural, História e Etnografia.

Ao mesmo tempo, ou antes, antigas civilizações, incluindo a Mesopotâmia inicial e Egito, fizeram observações sistemáticas em muitos domínios científicos, mas somente os Gregos tentaram criar um modelo (teoria do observado) de tais observações em termos de causas presumíveis sob os acontecimentos físicos.

A Antiga Civilização Chinesa - Harmonia

Contrastando com a civilização grega, a chinesa enfatizava o oposto do “agente pessoal”. Ela focalizava mais a obrigação social recíproca (do grupo) ou do “agente coletivo”. Os chineses sentiram que o individualismo era parte de um ajuntamento da malha da coletividade, visto como uma família ou um aglomerado de uma cidade, por isso, a conduta do indivíduo deveria ser guiada não pela expectativa de um indivíduo, mas sim pela expectativa do grupo.

O sistema moral chinês fundamental, o Confucionismo, foi essencialmente uma elaboração das obrigações prescritas entre o imperador e o sujeito, pais e filhos, amigo e amigo, marido e mulher, irmão e irmão, etc. A sociedade chinesa fez o indivíduo se sentir parte de um grande e complexo (geralmente benigno e acolhedor) organismo social. Neste nicho os papéis prescritos relacionados à união eram os guias para a conduta ética. Os direitos dos indivíduos estavam presos ao compartilhamento dos direitos da comunidade como um todo. A obediência ao sistema hierárquico (rei, pais, mais velhos) tinha prioridade sobre a maioria das outras ações.

A ênfase no coletivo, o contrário do individualismo, resultou na valorização chinesa da harmonia grupal. Esta harmonia ocorre quando os ocupantes de um grupo social realizam suas funções sem transgredir certos deveres, principalmente as expectativas grupais. Assim, num grupo social, qualquer forma de confrontação, tal como o debate, era desencorajado; o contrário do que era enfatizado entre os gregos.

A civilização chinesa foi tecnicamente mais avançada que a grega, como, por exemplo, no sistema de irrigação, tinta, porcelana, compasso magnético, estribos, roda do carrinho de mão, broca para furar, triângulo de Pascal, barreiras para canais, barcos, compartimentos para água, leme para barco, cartografia quantitativa, técnicas de imunização, técnicas astronômicas de observação, sismógrafos, etc. Muitos desses ganhos tecnológicos foram postos em funcionamento quando a Grécia ainda não tinha nenhum. Entretanto, na China esse progresso tecnológico não foi criado devido a investigações minuciosas ou a teorias científicas. Tudo isso foi desenvolvido por meios artesanais, por tentativas de soluções diante de problemas concretos e práticos encontrados, isto é, devido aos fatos observados pelos órgãos dos sentidos. Não houve, entre os chineses, preocupação de construírem modelos formais (lógicos) do mundo natural vivido.

A Ciência Chinesa e Grega, Matemática e Filosofia

As diferentes crenças e posturas dessas duas civilizações refletem existências sociais diversas: holística versus analítica. O pensamento holístico está envolvido numa orientação do contexto ou campo como um todo, incluindo atenção às relações entre um objeto focalizado e seu campo, e uma preferência por explicar e predizer acontecimentos baseados em tais relações. A abordagem holística prende-se no conhecimento experiência/baseado (mais intuitivo) mais do que no da lógica abstrata, sendo dialético, significando dar ênfase nas mudanças e, principalmente, reconhecendo contradições entre uma e outra explicação, vantagens e desvantagens numa mesma ação. Essa postura conduziu a olhar e explicar o Universo através de óculos com perspectivas múltiplas e na procura de um “caminho intermediário” entre proposições opostas (feio e bonito, bom e mau).

O pensamento analítico está envolvido com o destaque (isolamento) de um objeto do seu contexto, uma tendência a focalizar atributos do objeto para colocá-lo numa categoria, e na preferência do uso de regras acerca da categoria para explicar e predizer a conduta do objeto. As inferências fazem parte nessa estrutura de descontextualização do conteúdo, o uso da lógica formal e a fuga da contradição. O pensamento holístico é associativo e sua computação reflete semelhança e contiguidade. O pensamento analítico seleciona sistemas de símbolos representacionais e sua computação reflete regras de estrutura.

Continuidade versus separação (intervalo) entre a explicação holística e analítica

Uma diferença intelectual fundamental entre essas civilizações é a de que a chinesa vê o mundo como uma coleção de encaixes (justaposições) e de substâncias ou matérias. Isto contrasta com as idéias Platônicas descrevendo os objetos como individuais ou particularidades que têm propriedades que são elas mesmas universais, como “dureza” e “brancura”. Os gregos estão inclinados a ver o mundo como uma coleção de objetos separados os quais são categorizados em referência a algum subconjunto de propriedades universais que caracterizam o objeto.

Campos versus Objeto

Para os chineses as partes (objetos) só existem dentro do todo, sendo inseparáveis. Para os gregos, o foco é o objeto central e seus atributos. Isto contribui para a falta de compreensão dos gregos com respeito à natureza fundamental no domínio da causalidade física. Aristóteles explicou que a pedra cai porque tem a propriedade de “gravidade”, enquanto uma folha tem a propriedade de “leveza”. Os chineses, ao contrário, reconheciam que todos os acontecimentos são devidos às operações de campos de força, pois eles, de modo prático, já conheciam o magnetismo e a ressonância acústica. A idéia de cirurgia vem do Ocidente: tirar o órgão estragado para consertar o mal. Entre os chineses essa idéia era herética, pois, para eles, a saúde depende do equilíbrio e fluxo de forças naturais através do corpo.

dialética versus Princípios Fundamentais de Lógica

Em lugar da lógica, os chineses desenvolveram a dialética, a qual envolve reconciliação, transcendência ou mesmo aceitar contradições aparentes. Para a tradição intelectual chinesa, não importa haver incompatibilidade entre a crença A e a não A, pois ambas têm mérito. Na verdade, para o espírito de Tao ou princípio yin-yang, “A” pode atualmente implicar “não A” (branco e preto, feio e bonito). O estado oposto de problemas pode existir simultaneamente com o estado de transtorno (querela, luta). Isso indica encontrar o meio termo entre os extremos, aceitando que as duas partes da disputa podem ter direito a sua parte ou que as duas proposições opostas podem conter alguma verdade (nova, não percebida ainda).

Experiência/baseada (intuição)versus análise abstrata

Os chineses procuravam intuitivamente o conhecimento instantâneo através da percepção direta, ou seja, a intuição. Isto compreende focalizar um momento particular do conhecimento assentado em casos concretos.

Os gregos enfatizavam o conhecimento fazendo uso da lógica e dos princípios abstratos. A experiência concreta e direta era vista como não sendo de confiança e, além disso, incompleta. Nestes casos, eles, ao mesmo tempo em que desprezavam a experiência imediata e concreta, aceitavam e acreditavam no estado dos corpos que observavam, focalizavam e pensavam de certo modo como verdade (realidade) que tinham percebido, mas, também, acreditavam numa possível dedução acerca dos fatos acontecidos para explicar o Universo.

Apesar de não apreciarem a observação, ironicamente, uma importante descoberta dos gregos a partir da lógica formal foi o desenvolvimento das ciências, uma atividade que foi impedida de se realizar por muitos anos. Após o século VI do período Jônico (Iônico), a tradição empírica na ciência grega foi grandemente enfraquecida. O empirismo foi combatido pelos gregos assentados na convicção, por parte dos filósofos, que a realidade podia ser compreendida fazendo uso apenas da razão, isto é, sem a utilização dos órgãos sensoriais e, principalmente, sem as emoções.

Sistemas sócio-cognitivos: organização social, atenção e metafísica ingênua

Se uma pessoa vive num mundo social complexo, fazendo uso de diferentes papéis diante das diversas relações sociais, sua atenção será provavelmente dirigida para fora de si mesma e para o campo social. Os chineses, por hábito, ao atenderem mais ao meio social, focalizavam o meio ambiente em geral. Esta postura permitia, por exemplo, fortalecer a importância do campo no conhecimento dos eventos físicos. Se percebemos nós mesmos como embutidos (misturados) dentro de um contexto mais abrangente, no qual a pessoa é uma parte interdependente, é provável que outros objetos e eventos no campo também sejam percebidos de modo similar. A atenção ao campo deveria promover tentativas para compreender relações entre objetos e eventos no campo e deveria encorajar explicações de acontecimentos em termos de suas relações; objeto e campo. Do mesmo modo dentro do campo social.

Por outro lado, se vivemos num mundo com poucas relações sociais e restrição de papéis, é possível atentar primariamente para o objeto e as metas da pessoa com respeito a ele. As propriedades do objeto podem assim ser salientes e a pessoa pode ser encorajada para usar aquelas propriedades para desenvolver categorias e regras que presumivelmente governam a conduta do objeto.

A crença (ilusória) de que a pessoa conhece as regras governadoras da conduta do objeto (intenções, motivações, emoções, cognição) podia encorajar o foco exclusivo nas explicações do objeto e a crença que o mundo é um lugar que é controlável através de nossas próprias ações. Entretanto, o mundo provavelmente será percebido como separado da pessoa, descontínuo, por aqueles que olham a si mesmos como entidades altamente distintas, autônomas, tendo conexões limitadas com outros e possuindo a capacidade para agir com autonomia e não como heteronômicos.

Os gregos e os chineses desenvolveram hábitos diferentes para explicar eventos com referência ao campo ou ao objeto pertencente a uma determinada categoria. Assim, para os gregos, torna-se importante descobrir as propriedades e a categoria a que pertencem os objetos, tendo como hábito ou padrão perceptual a descontextualização (a retirada do campo ou contexto) dos objetos do campo a que eles pertencem, e também os hábitos cognitivos para explicar a conduta em termos de categorias e regras aplicadas a ele. Todo esse modo de perceber e conceber (conhecer) de um grupo e outro são automáticos e inconscientes e contaminam toda a estratégia epistemológica subjacente ao pensamento ingênuo.

Da Organização Social ao Processo Cognitivo

Os dois modos de uma e de outra cultura, grega e chinesa, de trabalhar com o conhecido, a lógica e a dialética podem ser vistos como ferramentas cognitivas desenvolvidas para lidar com conflitos com o mundo externo e, também, interno.

As pessoas, nas quais a existência está baseada na harmonia, não deveriam esperar desenvolver uma confrontação ou debate. Ao contrário, suas metas intelectuais, quando confrontadas com uma contradição, podem ser orientadas para a solução da contradição, transcendendo ou encontrando um “caminho intermediário”.

Ao contrário, as pessoas que estão livres para a contenda com seus vizinhos podem esperar desenvolver regras para a condução do debate, incluindo princípios da não-contradição e da lógica formal. Os gregos deram nascimento às ciências apoiados em princípios da retórica que governavam os debates em praça pública.

Os chineses estão presos à situação concreta, isto é, sensitivos ao meio ambiente. Os gregos estão centrados neles mesmos, no indivíduo, e eles esperam que o meio ambiente seja sensitivo a eles. Os chineses são mais passivos e os americanos (principalmente o homem) ativos ao lidar com o meio.

Atenção e Controle

A localização da atenção é altamente maleável e sujeita à aprendizagem estratégica de adaptação e, como a percepção, pode ser melhorada. As pessoas em algumas culturas prestam mais atenção a muito mais amplos acontecimentos, ao mesmo tempo, que as pessoas de outras culturas. Se os ocidentais prestam mais atenção aos objetos, e acreditam que eles compreendem as regras que influenciam a conduta do objeto, eles podiam ter uma crença maior na controlabilidade do objeto do que os asiáticos. Em decorrência desse modo diferente de perceber e de prestar atenção, podemos concluir que: a) os asiáticos vêem mais relações entre os elementos; b) vêem mais o todo que as partes; c) encontram mais dificuldades em diferenciar um objeto quando ele está embebido num campo e d) suas percepções e condutas deveriam ser mais influenciadas pelas crenças que eles têm sobre os objetos ou meio.

Diversas pesquisas têm sido descritas para identificar respostas de chineses e americanos com as respostas holísticas versus as analíticas. Cenas de uma pescaria mostradas para chineses e americanos concordam com o descrito acima: os ocidentais vêem o foco e os orientais o campo; o americano supõe poder controlar o meio ambiente externo para atingir o desejado, enquanto que o chinês se autocontrola para se adaptar ao meio externo. O americano, mais otimista, supõe poder controlar o ambiente.

Explicação e Predição

Se os ocidentais atentam mais para os objetos, nós podemos esperar que eles atribuam causalidade aos objetos. Os asiáticos, por outro lado, por terem sua atenção voltada mais para o campo e relações entre os objetos no campo, tornam-se mais inclinados a atribuir causalidade ao contexto e à situação.

Entre os americanos, há uma tendência para ver a conduta como produto das disposições do ator e ignorar outros importantes determinantes da conduta. Uma pesquisa mostra que os americanos explicam a conduta de uma outra pessoa predominantemente em termos de traços (descuidado, bom, inteligente, preguiçoso), já os indianos explicam as condutas comparando-as em termos de papéis sociais, obrigações, meio ambiente físico e outros fatores contextuais.

Uma outra pesquisa acerca de assassinos em série relatou que os americanos explicam as causas como uma presumida doença mental e outras disposições negativas dos criminosos, enquanto os relatos dos chineses do mesmo acontecimento tecem especulações usando a situação, o contexto e mesmo fatores sociais que podiam estar relacionados. Num e noutro caso, as pessoas usam termos, por perceberem e focalizarem coisas diferentes, diversos para explicarem o mesmo evento.

Portanto, as regras e as categorias seriam esperadas como sendo as principais bases para se fazer a organização dos eventos no ocidente. As causalidades (regras) tidas como fazendo parte do objeto, por exemplo, usadas pelos ocidentais, são valores que são aplicados num grande número de objetos, isto é, dando origem a uma categoria. Por outro lado, se os orientais atribuem causalidade primariamente no campo, então a causalidade toma forma da relação entre o objeto e o campo.

Diversos estudos indicam que a Ásia Oriental confia menos nas regras e nas categorias e mais nas relações e semelhanças para organizar o mundo que se tenta entender e explicar; o oposto acontece com os americanos.

Princípios da dialética

Princípio de mudança - a realidade não é um processo estático, mas dinâmico e mutável. Uma coisa não necessita ser idêntica a ela mesma; há uma fluidez constante.

Princípio da contradição - como a mudança é constante, a contradição é constante. Assim, o velho e o novo, o bom e o mau existem no mesmo objeto ou evento e na verdade dependem de um ou outro para sua existência.

Princípio das relações ou do holismo - como há constante mudança e contradição, nada na vida humana ou na natureza é isolado e independente. Tudo está relacionado.

As origens dos sistemas sócio-cognitivos

A civilização chinesa foi baseada na agricultura. Nesta, obrigatoriamente, havia uma constante cooperação de um indivíduo com seus companheiros e ou vizinhança, forçando-os a viver em harmonia com a ordem social. Nesta ordem social, o Rei, depois Imperador, ou a burocracia, controlava as ações. Esse coletivismo ou interdependência é a orientação social dos chineses.

A ecologia grega, por outro lado, conspirava contra a base agrária. Na Grécia o trabalho consistia mais no uso da pesca ou do rebanho. Nestas atividades a pessoa, mais isolada, podia trabalhar independente. Também, a política grega era mais descentralizada. Cada cidade tinha seu controle próprio e, por isso, era mais livre nas suas ações.

Foi desses dois tipos de conduta que nasceu a crença de que laços sociais mais fortes poderiam produzir uma orientação mais holística no mundo. Os fazendeiros são mais dependentes que os caçadores, industriais ou boiadeiros. Os campos/dependentes são mais interessados em lidar com problemas sociais que os de orientação oposta. O esforço para melhorar as condições de um povo “oriental” (campo) X “ocidental” (cidades grandes) será muito diferente para um e outro grupo.

Os sistemas de pensamento para existir em homeostase (equilíbrio) com as práticas sociais precisavam estar conforme as situações que as circundavam: a interatividade de um lado e o afastamento de outro (asilos e prisões, para isolamento). A lei, num lugar, tende a resolver conflitos na base de negociação intermediária. Há possibilidade de um contrato ser alterado e renegociado. Quanto à religião, sua filosofia subjacente permite a interpenetração e mistura de qualidades de uma e de outra incorporando aspectos de diversas delas. Em contraste, a religião Cristã tende fortemente para insistir em sua pureza única, na não mistura. Como consequência, há mais guerras religiosas no Ocidente (Grã-Bretanha) que na Ásia. A linguagem é pictórica por excelência no oriente. No ocidente, ela é analítica, com letras compondo palavras e, estas, frases, parágrafos, etc.

Os processos cognitivos existem em sistema de pensamento dependente e em reforço mútuo, de modo que um dado estímulo de uma situação muitas vezes dispara processos bastante diferentes numa cultura e em outra. Daí não ser possível uma distinção aguda entre processo e conteúdo cognitivo.

Os sistemas ocidentais

A epistemologia tácita (implícita, subentendida) é que irá ditar os procedimentos cognitivos que as pessoas usam para resolver problemas particulares. O conteúdo imaginado são crenças acerca da natureza do mundo que determina a epistemologia oculta (não mostrada). A pessoa que acredita que o conhecimento acerca de objetos é normalmente tanto necessário e suficiente para compreender sua conduta acreditará na sua importância para descobrir as categorias apropriadas que devem ser aplicadas nos objetos e nas regras adequadas que irão ser aplicadas às categorias.

Haverá uma procura por categorias e regras que irão ditar os modos particulares de organizar o conhecimento bem como os modos de obter novos conhecimentos acerca das regras. Estas práticas, por sua vez, são ajudadas pela confiança na lógica formal, com especial atenção para o fantasma (espectro) da contradição que subdetermina as crenças acerca da validade das regras.

As abstrações serão as metas porque as categorias e regras serão usadas justamente para indicar que elas têm uma ampla possibilidade e porque pode ser mais fácil aplicá-las conforme a lógica formal para a abstração do que os objetos concretos.

Os sistemas orientais

De modo similar podemos pensar acerca das pessoas que pensam que a causalidade é uma função complexa de múltiplos fatores operando em um objeto num campo. A complexidade indica uma mudança constante e dinâmica. Uma crença numa mudança e instabilidade tende a criar hábitos de categorização e busca por regras universais acerca de objetos que parecem irrelevantes, ou melhor, uma tentativa para ver a inter-relação de eventos como importantes. A contradição parece inevitável, desde que a mudança é constante e fatores opostos sempre existem. A preocupação com objetos concretos será vista como mais útil que a procura por abstrações. A lógica não será admitida para prevalecer ou dominar a experiência ou o senso comum.

Para finalizar

Assim, cada povo - ou pessoa - possui sua mala carregada de utensílios ou ferramentas diferentes para lidar com o mundo. Cada um usa seu instrumento preferido ou disponível para o mesmo problema. Os membros de diferentes culturas (ou pontos de vista, teorias) parecem não ver o mesmo estímulo-situação como um problema que necessita ser observado e notado. Uma aparente contradição num estímulo pode ser um problema para os ocidentais, mas não para os orientais.

Um outro aspecto é que as culturas diferentes podem construir diferentes ferramentas cognitivas para lidar com os problemas levando as pessoas a tomar medidas diferentes ou nem tomá-las, conforme o caso, como as estatísticas modernas, custo/benefício, que são ferramentas que não existiam no século XVII. Do mesmo modo, houve uma transformação da antiga noção chinesa de yin e yang para noções dialéticas acerca de transformação, moderação, relativismo e a necessidade de pontos de vistas diversos. As diversas “ferramentas” estão impregnadas de “terorias” não percebidas que contaminam estes instrumentos sem que seu possuidor perceba. Conforme a ferramenta usada, uma realidade diferente é observada e, consequentemente, uma ação diversa é utilizada para resolver o problema.

2 comentários para “Modelo Holístico (Oriental) x Analítico (Ocidental)”

  1. q massa

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  2. Olá Galeno,

    Acabo de assitir a primeira parte de um documentário na TV Escola que ilustra exatamente este teu artigo . Fica muito clara a distinção entre os dois tipos de pensamento. Recomendo aos leitores que queiram se aprofundar mais nesse assunto. O link da TV Escola para o documentário é:

    http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_zoo&view=item&item_id=5189

    Abraços,

    Bárbara.

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