Haveria uma Escolha Livre?

Imagem - Caminhos

Nós homens, gerados pelos genes, alguns iguais, outros modificados de animais que nos antecederam, somos parecidos com a abelha que se acha amarrada e obediente aos processos ordenadores automáticos que coordenam ou organizam sua vida. Assim também o homem é ejetado para o que chamamos, eufemisticamente, de nosso caminho futuro, de nossa liberdade de ação e da nossa tomada de decisão.

Empurrados, sem tomar conhecimento dessas forças, subjacente à conduta visível, somos levados a pensar, emocionar e agir conforme a estrutura do nosso organismo e dos estímulos que atuaram num certo momento. Há, sempre, forçando certa conduta final, um organismo humano total, biológico (instintivo) e racional/cultural, por sinal, uma aprendizagem que também nos domina e que não temos acesso direto a ela, pois ela se automatiza, como o nosso modo de escrever, dirigir o automóvel, falar ou tirar a roupa. A consciência, a que decide “escolher livremente” o desejado, está subordinada, presa, dominada e fixada pela totalidade do organismo; ela é parte dele e dele depende. Não existe a liberdade preconizada e defendida com orgulho. Usamos os mais belos nomes para designar nossa “escolha livre”, como se nosso “espírito” ou mente estivesse livre das diversas forças da natureza, isto é, nascesse do nada.

Somos, querendo ou não, natureza; uma natureza física e química, arrumada de uma forma peculiar que se auto-reproduz e, por isso, muda de nome e se torna “biológica”. Essa nova e terceira natureza formada às custas da química e da física fez nascer o que chamamos de “Biologia” ou “natureza viva”, que nada mais é que uma composição especial das “naturezas” existentes antes do aparecimento dos seres vivos, ou seja, dos vegetais e animais.

Segundo os métodos científicos, não os intuitivos, a ciência comprovou que a consciência é instalada ou produzida, automaticamente, devido a ações bioquímicas e biofísicas ocorridas dentro do organismo diante dos estímulos do meio ambiente interno e externo, quase sempre, aleatoriamente e sem nosso conhecimento. Sendo assim, a totalidade do organismo não é dirigida por nós; é comandada por outras forças independentes do nosso poder ou querer. Essas forças são orientadas por princípios ou paradigmas inconscientes, trabalhando em conjunto com os mais diversos fatores biológicos, além, é claro, dos estímulos do momento desencadeadores da conduta. Os dois processos, princípios implícitos e totalidade do organismo biológico, excitados por estimulações diversas, nos comandam.

A ciência mostra que é a totalidade do organismo, não apenas um simples e pequeno atributo, como o nariz, a audição, a amígdala, o lobo frontal, o estômago ou a consciência, que leva, arrasta, empurra e conduz a pessoa a fazer uma ou outra coisa. O poder da consciência é ínfimo diante da potência extraordinária do restante do organismo, ou seja, do biológico e dos princípios (normas, leis) que cada indivíduo obedece geralmente sem notar. Tudo isso é executado de forma automática.

As intenções verdadeiras - as que se realizam e se tornam atos - nascem de programas não exibidos em nossa consciência. Temos acesso ao resultado final, à conduta possível de ser observada pelos órgãos sensoriais, por nós ou por um observador. Agimos por intermédio de nosso corpo devido às pressões externas e internas.

O “querer amplo” é cumprido ou alcançado através de várias ações biológicas: neurotransmissores, peptídeos, elementos sanguíneos, hormônios, etc., provocadoras das emoções, às vezes, não notadas e, por outro lado, se acha influenciado ou dominado pelos modelos teóricos, princípios, ideologias, paradigmas, deveres, etc., que se manifestam, automaticamente, durante as interações do indivíduo com acontecimentos fortuitos do meio ambiente. Não possuímos meios ou aptidões para resistir a essas poderosas forças, ora agindo logicamente, ora atuando irracionalmente. O homem é uma construção da evolução: ora dançamos a melodia demoníaca (odiamos e matamos injustamente), ora a dos anjos (amamos e perdoamos), na maioria das vezes, da burrice: ficamos em dúvida se agredimos ou amamos.

Estamos aprisionados às forças que nos obrigam a preservar a nossa vida e a da espécie. Confusos, sem saber para que estamos aqui e qual será nosso destino (questões fundamentais das religiões), sem coisa melhor para fazer, nosso hemisfério esquerdo inventa explicações mágicas ou semimágicas para descrever a conduta humana. Entre essas interpretações está a de que somos animais superiores, racionais e livres. Incrível!

O organismo total não é dirigido por nós. Ele é comandado por outras forças, com pouco, e, às vezes, nenhum poder nosso. Não basta desejarmos ter uma boa disposição, uma inteligência elevada ou possuir uma habilidade futebolística ou artística; tudo isso não acontece apenas em virtude do nosso desejo e esforço, pois participam outros fatores altamente poderosos.

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