Dificuldade para Atingir o Objetivo Desejado

Imagem - Dificuldades

Nem sempre as pessoas conseguem atingir as metas pretendidas (intencionadas). Algumas vezes, devido aos obstáculos físicos ou por incompetência, ficamos no meio do caminho e não chegamos onde queríamos. Desse modo, muitas vezes, abandonamos nossas metas, aspirações ou intenções. Quando uma pessoa encontra grandes dificuldades em atingir suas metas, por mais esforço que tenha feito, ela tende a abandonar a conduta antes existente que era dar uma solução ao problema X e focaliza sua atenção em outras direções, entre essas, a avaliação das probabilidades positivas ou negativas acerca da ocorrência do resultado desejado: “Minha coceira nos olhos não deu em nada; meu olho continua a coçar apesar do que tentei”. Pensando assim, devo partir para examinar outras alternativas.

A interrupção da ação (coçar) e a avaliação (não adiantou nada me coçar) podem ser iniciadas de diversos modos. Uma primeira avaliação e mais simples é a frustração: “não consegui nada; ele continua ardendo, sou um azarado”. Nesse caso houve um obstáculo que me impediu de atingir a meta desejada; falhas ou restrições externas (cocei mal ou minha unha está grande e irritou a pálpebra) ou internas, como as devidas ao déficit na minha habilidade, falta de conhecimento das causas da minha coceira, etc. Uma outra classe não rara de impedimentos para o êxito da ação é a ansiedade. Esta é despertada, em certas pessoas, quando o acontecido é percebido como mais ameaçador e as medidas tomadas como ineficazes tornam a pessoa mais pessimista quanto ao resultado da ação.

O processo, ele mesmo, de avaliar o resultado de nossas ações durante sua execução, pode despertar em nossa mente uma grande quantidade de informação estocada pertencente não só à situação propriamente dita, como também às qualidades internas nossas (nossa capacidade para solucionar aquele problema específico; nosso ânimo ou desânimo diante das dificuldades e frustrações; a quantidade de esforço que serei capaz de usar e as opções de respostas disponíveis), como, por exemplo: “Tudo que faço dá errado” ou “Não desanimo fácil: vou continuar a agir até a coceira acabar”. Como mostrado no exemplo, quase sempre a avaliação das expectativas diante do obstáculo faz uso de lembranças de experiências anteriores, que dará uma maior confiança ou dúvida com respeito à atividade que está sendo executada (nunca fui um bom coçador de olhos). As expectativas acerca do resultado da ação constituem um determinante importante para que a pessoa responda às adversidades através de um esforço contínuo para atingir a meta pretendida ou decida pela desistência da tentativa.

A expectativa e o afeto durante a execução da ação

Quando as expectativas quanto ao resultado são favoráveis, as pessoas tendem a ter afetos positivos (humores, emoções). Estes são experimentados como entusiasmo, esperança, excitação, alegria, sensação de bem-estar e, além disso, nascimento de um pensamento mais rico e continuado de modificações, isto é, não-fixo ou mais criativo. Por outro lado, quando as pessoas têm expectativas desfavoráveis (“Não vai dar certo”) quanto à atividade executada ou a executar (há produção de afetos negativos), elas apresentam sentimentos negativos, tais como a ansiedade, desesperança, sofrimento e um tipo de pensamento repetitivo e pobre em conteúdo ou não-criativo e restrito.

As pessoas, ao agirem, constantemente monitoram suas ações verificando se estão ou não se aproximando do objetivo pretendido e, também, se a velocidade em atingir a meta está lenta, normal ou rápida. As emoções sentidas, satisfação e bem-estar ou insatisfação e mal-estar, ocorrem conforme a velocidade na qual a pessoa está caminhando para atingir a meta pretendida ou se afastando da meta ameaçadora. Assim, se a velocidade imprimida, bem como o sucesso para atingir o objetivo, é boa, ocorrem emoções positivas (“Estou feliz, fiz até agora tudo mais depressa que pensei”); se a velocidade é baixa ou muito lenta, surgem emoções negativas (“Hoje levantei com o pé errado. Nada dá certo; não conseguirei fazer o que queria”).

Caracteriza-se a auto-regulação consciente do indivíduo como um processo de monitorar sua ação presente e comparar as qualidades que ele percebe nisso com os valores de referência que ele tem. Conforme a avaliação elaborada, a pessoa faz adaptações necessárias para tornar as desarmonias mínimas entre o desejado e o que está de fato acontecendo. O monitoramento é fundamental para controlar a conduta intencional. Em resumo, o monitoramento ou a avaliação do sucesso da ação utiliza-se tanto da aproximação do objetivo, quanto da rapidez da aproximação (rapidez com que a tensão produzida pela discrepância entre o esperado e o real, está sendo reduzida); e não se ela está apenas sendo reduzida, isso no caso de metas desejadas. Se ela está sendo reduzida rapidamente, a percepção do progresso do término da tensão é alta. Se a discrepância está sendo reduzida muito lentamente, a ação do progresso é baixa; se não há nenhuma, a redução é zero, exemplificada em tarefas tais como: estudar para uma prova (“Ainda não aprendi nada”); caminhar uma distância determinada; realizar naquele dia vários compromissos como pagar uma conta no banco (“Estou há meia hora na fila e ela não caminhou”).

Essa avaliação ou monitoramento se dá de duas formas: o primeiro sensor é avaliativo, confuso ou enevoado e não-verbal, ou seja, é a expectativa do resultado (“Tenho a impressão que já estudei mais da metade do necessário”); o segundo sensor é puramente afetivo, uma qualidade de sentimento, ou um sentido de positividade ou negatividade, ou seja, qualidades que o organismo sente como mudanças emocionais ocorridas durante uma ação qualquer (“Estou animado, pois tudo está indo bem”).

Quando não há mudança na discrepância, o afeto é neutro ou nulo; quando a ação está se fazendo contínua e equilibradamente, progredindo para a redução da desarmonia, mas a taxa de redução dessa desarmonia é mais lenta que o valor imaginado pela pessoa, haverá um grau de dúvida e de afeto negativo, proporcional ao tamanho dessa discrepância. Quando a taxa de redução de discrepância na ação é mais alta que o valor de referência imaginado há uma desarmonia positiva - um excesso de sucesso na execução da conduta, isso é refletido através da confiança e de sentimentos positivos (“Tudo está correndo da melhor maneira possível”).

Algumas vezes um fracasso tem uma grande repercussão nos nossos sentimentos, outras vezes nem tanto. Tais casos parecem depender do nível de abstração no qual a pessoa está focalizando. Se o fracasso atingir os níveis mais elevados, a percepção da consequência do fracasso será mais intensa (“Cheguei um pouquinho atrasado ao dentista e não fui atendido”, difere bastante de “Cheguei na hora marcada e ele não me atendeu”). Um ponto interessante: se a pessoa se excedeu na taxa de progresso, isto é, se está realizando sua atividade ou trabalho mais rapidamente que esperava, ela tende a agir mais devagar em seus esforços posteriores e, como resultado, o afeto positivo diminui.

A velocidade da aproximação da meta desejada

As pessoas estão continuadamente agindo para alcançar diversas metas simultaneamente e vários níveis de esforços mais baixos contribuem para minimizar as discrepâncias nos níveis altos. À medida que um movimento dirigido a uma meta alcança esta mais rápido que o esperado numa certa área, isso irá permitir à pessoa mudar sua atenção e esforço para uma outra área. Quando uma pessoa pára e examina a situação em que ela se encontra, ela, tipicamente, traz à mente uma série de possibilidades com respeito às situações que são avaliadas quanto às suas consequências para a ação desejada: “Se eu, em lugar de agir dessa maneira, agisse dessa outra, talvez me saísse melhor”; “Isso é a única coisa que eu posso ver, e se assim agir as coisas irão piorar”. A pessoa pode também recuperar outras lembranças acerca de si mesma: “Eu nunca fui bom em mecânica de automóvel”; “As pessoas nunca gostaram de mim”; “Vá em frente: você é capaz de fazer isso, dê duro”, etc. Noutras vezes torna-se necessário uma busca mais minuciosa de lembranças e de possibilidades. Presumivelmente essas lembranças são acumulações ou consolidações de exemplos de julgamentos ou reflexões de ações anteriores existentes no seu comportamento; o passado clareando e orientando o futuro.

Algumas vezes o valor de referência é imposto de fora, como as regras de conduta determinadas pela sociedade. Outras vezes ele é auto-imposto, como, por exemplo, seguir uma carreira e, em outras vezes, ainda, o valor deriva de comparações sociais, como no caso das pessoas estarem competindo umas com as outras: “Estou ficando cada dia pior que meus colegas”. Às vezes as exigências são muito grandes, outras, pequenas, como o caso de uma carreira médica como uma forma de exigência interna e externa.

O padrão utilizado para comparações

A severidade do padrão que é usado pelo indivíduo ou por seu ambiente tem implicações para a sua vida emocional. Assim, por exemplo, se os degraus exigidos para o progresso idealizado usado como ponto de referência são altos demais, eles raramente serão alcançados, mesmo se, objetivamente, a produção da pessoa for muito alta. Nesse caso, o indivíduo experimentará um afeto muitas vezes negativo e raramente o positivo. Ao contrário, se os passos de progresso imaginados como referência são baixos, fica fácil a pessoa reduzir a taxa idealizada para redução da discrepância, de modo que, frequentemente, ela consegue excedê-la. Nesse último caso a pessoa experimentará facilmente o afeto positivo e raramente o negativo.

Entre os fatores que restringem o alcance do padrão posto está o tempo gasto na execução para que a tarefa seja executada, como nos exemplos: “tenho que entregar essa tarefa amanhã”, uma exigência mais preocupante que outra, como, “Quando puder irei à China”.

Há ainda certas atividades que as pessoas desejam terminá-las e, ao mesmo tempo, não têm nenhum desejo de realizá-las, como as atividades penosas e ingratas. Nesse caso a pessoa deseja terminá-las o mais rápido possível (catar lixo, limpar privadas, lavar pilhas de pratos, fazer uma mudança, preparar a declaração do imposto de renda, etc.). Nesses casos ocorre que a taxa de progresso, por si só, não serve como padrão. O afeto positivo pode aparecer caso a pessoa focalize, não a tarefa que está sendo executada, mas seu término. Pensando assim, seu afeto positivo poderá ir aumentando à medida que ela prevê seu término mais próximo. Acredito que fazer exercício físico nas academias, bem como tomar banho frio e ir a velório situam-se nesse caso discutido. O “prazer” não ocorre com sua execução, mas sim com a percepção de seu término ou com a aproximação desse. É uma alegria ficar livre dela e ter realizado uma tarefa indesejável, mas que acredita-se fazer bem, semelhante a submeter-se a uma cirurgia, tratar de dentes, etc. Em todos esses casos, ficamos felizes pelo término do indesejado. Em função do tempo e da experiência, ao nos acostumarmos com a tarefa, o prazer e o sofrimento dela decorrentes podem ir diminuindo, devido ao costume ou adaptação do organismo. Geralmente essas mudanças são graduais, havendo um momento de espera e de possível modificação cognitiva: “Vou parar de ser tão exigente com os outros e mais satisfeito com o que está ocorrendo”.

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