Assimilando Pré-Saberes (Informações Intuitivas) na Escola

Imagem - Ensino nas escolas

Enquanto a história das ciências nos mostra que o progresso do saber é devido ao questionamento dos princípios reconhecidos, o aluno nas escolas de Lumeeira aprende seu oposto, ou seja, que os princípios são corretos e imutáveis; um modelo das religiões mal ensinadas e das prescrições dos pais. O ensino tem sido frequentemente uma submissão aos dogmas; deve-se acreditar neles. O professor, como os pais de Lumeeira, reforça essa crença errada evitando discussões e, quando essas são permitidas, a palavra final é sempre a do professor. As exceções são poucas. Não se ensina a pensar e a duvidar. É proibido e feio duvidar do ensinado. Ensina-se o oposto, ou seja, encontrar a “verdade” única e última, um objetivo jamais alcançado, pois há várias verdades como há vários instrumentos e focos diferentes para alcançá-las. O engano, que constitui a expressão natural do ser vivo e das ciências, torna-se vergonhoso e tenta-se não errar jamais ou esconder o erro.

As palavras utilizadas pela criança quando ela inicia seu estudo de matemática (conjunto, relações, raízes quadradas, etc.) já tinham adquirido um sentido dado pela linguagem natural, nem sempre adequado. Os alunos precisam saber que na matemática elas adquirem um novo significado, bem diferente do anterior.

Nas escolas o currículo continua a ser o das ciências: Física, Biologia, Química e a língua materna. Não se estuda o homem. Nada se aprende das formas diferentes (sensoriais, intuitivas, teóricas e afetivas) de alcançar o conhecimento e não se estuda a estrutura da cognição ou da conduta. Nada aprendemos acerca dos processos usados pelo construtor da ciência para construí-la, isto é, há uma completa ignorância a respeito daquele que descreveu as informações que estão sendo estudadas. De outro modo, o ser humano (cérebro, emoção, cognição e comportamento) não faz parte do currículo. O homem continua a ser um desconhecido e os comentários acerca dele apóiam-se em informações intuitivas, preconceituosas, simplórias, elementares e, às vezes, idiotas, muitas delas usadas, sem críticas, há mais de vinte séculos.

Através dos anos, modernas descobertas teóricas e técnicas apareceram no campo da Física, Química, Astronomia e Biologia, por exemplo. Enquanto isso o estudo do homem era afirmado, até há pouco tempo, não ser possível, pois o “ser humano não era um produto da natureza”, mas divino, e por isso não podia ser estudado. Assim afirmou Descartes e, lamentavelmente, suas idéias, durante séculos, foram seguidas pelos sábios de então.

Equipamentos sofisticados têm sido produzidos para trazer à tona novos conhecimentos nas diversas áreas do conhecimento proveniente do nosso exterior: Astronomia, Física, Química e Biologia. Entretanto, só recentemente, em torno de vinte anos, iniciou-se um movimento sério para estudar o homem utilizando-se de aparelhagens modernas; técnicas mais bem elaboradas para que possamos compreender como o homem adquire informações, pensa e resolve problemas. Muito pouco do descoberto tem sido divulgado e discutido na imprensa popular e, também, nos ensinamentos nas escolas e igrejas.

Ainda predomina, na maior parte das vezes, um ensino (ou discussões na imprensa) sobre o homem que utiliza como ferramenta explicativa conceitos metafísico-filosóficos do tempo das cavernas (alma, id, ego, superego, faculdades mentais, etc.). Somente há poucos anos começou a emergir o novo homem, até então totalmente submerso na rede de informações defeituosas; o homem estava encoberto sob as explicações religiosas e ideológicas.

Parece-me lógico que antes de conhecermos as ciências estudadas pelo homem, precisamos conhecer, pelo menos em parte, quem foi o produtor do conhecimento ou da descoberta, pois essa incógnita é que nos distingue dos outros animais. De outro modo, não adianta ter boas e eficientes ferramentas para estudar a Astronomia e a Física, se não sabemos como e por que o homem estudioso dessas áreas chegou a esse conhecimento.

Portanto, com pouco ou nenhum conhecimento adequado de si próprio, uma grande parte do povo ainda continua a conceber a natureza e o próprio homem à maneira antiga. O homem tem sido descrito através de histórias fantásticas dele e do mundo que o cerca, de modo semelhante aos relatos de alguns mil anos atrás; uma explicação intuitiva, isto é, sem o uso do raciocínio e nem de observações do que está sendo discutido.

Um comentário para “Assimilando Pré-Saberes (Informações Intuitivas) na Escola”

  1. Tudo muito esclarecedor!

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