Os grandes primatas africanos: Nasce o homem

Podemos nos considerar um dos grandes símios africanos. Temos as mesmas partes anatômicas que eles e as mesmas (ou quase) proteínas. Das proteínas até hoje sequenciadas em símios africanos e em humanos – cinco cadeias de hemoglobinas, mioglobina, citocromo C, anidrase carbônica e fibrinopeptídeos A e B – a maioria não exibe sequer uma diferença de aminoácidos entre espécies, e o número total de substituição de aminoácidos é de apenas cinco em um total de 1.271.

Com base na evidência fóssil e molecular, percebemos agora que nossos ancestrais divergiam dos ancestrais dos símios africanos atuais há apenas sete milhões de anos. Isso não passa de um piscar de olhos na escala de tempo evolutiva, bem menos que 1% da história da vida na Terra. Consequentemente, nosso DNA é hoje 98,4% (ou 99,5 %) idêntico ao das outras espécies de chimpanzés, o comum e o pigmeu. Se aqui viesse um extraterrestre, para classificar os animais, ele nos colocaria junto com os chimpanzés. Na verdade, nossos atributos únicos, a nossa diferença para com os chimpanzés, é muito menor do que os 1,6%.

Cerca de 90% do nosso DNA é sucata não-codificante, ou seja, uma parte de pouquíssima importância no nosso comportamento. Assim sendo, para muitos cientistas, apenas a minúscula fração de 0,1do nosso DNA poderia explicar por que agora estou discutindo evolução na linguagem de “O Alienista” de Machado de Assis, em vez de estar catando folhagens e frutos, sem pronunciar uma só palavra, pulando de galho em galho na selva e tirando pulgas dos irmãos chimpanzés.

A pergunta é: Como é que esses poucos genes causam uma diferença de comportamento tão imensa? Esse é um problema interessante da biologia moderna.

Uma primeira resposta seria: os genes são os responsáveis pelo nosso cérebro grande, quatro vezes maior que o do chimpanzé, e muito maior em proporção ao resto do corpo. Também nossa bacia foi modificada para a postura ereta, levando à liberação das mãos para outros usos; além disso, as características sexuais, como menopausa, ovulação não-evidente e a formação de casais, rara entre os mamíferos, facilitaram a criação de nossas indefesas crianças.

Mas a postura ereta tem quatro milhões de anos e o aumento do nosso cérebro dois milhões de anos, entretanto, só há 500.000 (quinhentos mil) anos alcançamos a arcaica categoria do Homo sapiens. O homem de Neandertal, mais moderno, tinha o cérebro um pouco maior que o nosso atual, mas ele continuou a produzir ferramentas de pedras rudimentares; depois foi dizimado. Portanto, o cérebro grande é antigo. O homem, nesta época, caçava pequenos animais, apenas os que podiam ser mortos de perto: antílopes, animais muito novos ou muitos velhos, isto é, fracos. Os animais mais perigosos, porcos selvagens ou rinocerontes, não eram visados, pois o caçador poderia ser caçado antes de agarrar a caça. Assim também acontecia com os peixes e aves, pois as armas modernas e anzóis não haviam sido inventados em todas as regiões onde o homem antigo viveu, apesar do grande cérebro, pois suas ferramentas ainda eram semelhantes.

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