O Genoma e Genes

O genoma (conjunto de todos os genes de uma espécie de ser vivo; de todas as moléculas de DNA presentes em uma célula de determinada espécie de ser vivo) exerce duas funções básicas. A primeira é replicar-se, mantendo fidelidade ao tipo e, segundo, transferir suas informações e suas “ordens” à célula e ao indivíduo. De outro modo, numa função ele replica mantendo iguais os genes; numa outra, ordena ou informa mensagens que podem ser ou não desenvolvidas conforme as ações do indivíduo; uma informação do que fazer e do que deixar de fazer.

Os genomas de uma população, que partilhem determinados genes, podem sofrer mutações (mudanças, transformações, alterações, modificações súbitas no genótipo de um indivíduo, sem relação com os ascendentes, mas passível de ser herdada pelos descendentes) de genes individuais, alterando, de maneira descontínua, a informação contida no genoma original.

No genoma há um evento chamado de transcrição, por meio do qual o genoma se transcreve (escrever novamente – um determinado conteúdo – em outro lugar; traslada, copia, reproduz) em uma sequência de ácido nucléico. Depois a sequência de ácido nucléico se converte numa sequência correspondente em molécula de proteína; um processo chamado de tradução (translação).

As proteínas apresentam várias, na verdade, todas as atividades funcionais básicas necessárias para compreender como atuam e se desenvolvem os seres vivos. Algumas têm função catalítica (modificações da velocidade de uma reação química provocada por uma substância que está presente em pequenas quantidades e pode ser recuperada ao final), outras reguladora, outras, ainda, ambas as funções, e algumas morfogênica (forma, estrutura).

É somente devido às funções reguladoras das proteínas que a pessoa torna-se um sistema de totalidade coerente, trabalhando dentro de si mesma, para si mesma, em virtude de grande número de realimentação (feedback) entre as proteínas e outras funções celulares, outras remontam ao gene; de outro modo, sem esse processo não haveria o indivíduo organizado.

Em resumo, a evolução pode ser pensada em termos de alteração do programa de desenvolvimento, de maneira que determinadas estruturas sejam modificadas, formando novas estruturas. São apenas os genes que mudam na evolução; portanto, compreender como eles controlam o desenvolvimento é fundamental para compreender a evolução dos animais e plantas. Um pressuposto central é o de que o estado de uma célula é determinado pelos genes ativados e, portanto, pelas proteínas presentes.

É importante notar que a maquinaria básica é a mesma nos diversos seres vivos, desde que o código genético e o aparelhamento químico da herança operam conforme os mesmos princípios fundamentais, da bactéria ao homem. O que distingue uma espécie da outra, ou um indivíduo do outro, deve ser referido à informação existente no genoma. Esta é a única informação sobre a qual a seleção pode ser feita.

Os genes sofrem recombinações (nova estruturação), de modo que as novidades aparecidas sob forma de mutações podem ser contrapostas umas às outras, ou seja, as novidades que aparecem em diferentes indivíduos da população podem passar a ser recombinadas, desfeitas e submetidas a testes, sob a forma de novos genótipos; o número de combinações possíveis é enorme.

As mutações que ocorrem ao nível de moléculas isoladas não podem, por sua própria natureza, ser previstas e não podem ser individualmente controladas; as mutações físicas são irreversíveis. Assim, se nós temos isso ou aquilo novo e não o antigo, haverá evolução, pois há a conservação dos acidentes (mutações). Os acidentes surgidos podem ser recombinados e expostos à seleção natural; testados à realidade do meio ambiente. Nesses casos os novos organismos produzidos pelas mutações são desafiados pelo meio ambiente. O meio, interno e externo, colocará o organismo modificado (novo) sob teste, investigando se nova forma resistirá ou fracassará no ambiente onde ele se encontra. A imprensa popular frequentemente relata casos de indivíduos formados de modo diferente (mal-formados) do esperado; alguns resistem, outros não. A experiência mostra que uma grande quantidade de mutações desaparece por não resistir ao ambiente inadequado.

A capacidade do ser humano para aprender é muitas vezes maior que a existente nos outros animais. Não devemos nos esquecer que a capacidade para aprender foi selecionada, como todos os outros traços, pelo nosso genoma; os genes que possuímos permitiram esse tipo de aprendizado diferente de outros animais. Sabemos que cada espécie aprende certas coisas mais facilmente que outras. O cientista questiona: como essa resposta particular, não outra, pode ser facilmente aprendida? Por exemplo: qualquer criança aprende, sem esforço (naturalmente), a falar, em todos os lugares. Mas nenhuma criança aprende “naturalmente” a tocar piano, ou mesmo aprender a ler, escrever, ser um bom cantor, um craque de futebol, etc.

A capacidade para absorver a cultura também é um traço da evolução. A maneira de criar filhos (os sapos e cobras não criam os filhos), bem como certos padrões estáveis de sexualidade (os outros mamíferos, com exceção do homem – raramente em chimpanzés – não têm relações sexuais como nós, isto é, um de frente para o outro) e outros, são comportamentos, em grande parte, culturais, mas sempre formados e possíveis de serem desenvolvidos por existir uma determinada base biológica. Daí ser um erro ver a biologia e a cultura como opostos.

Nossa espécie, como as outras, é uma espécie singular. Entre suas características, talvez a mais notável e que provocou a “grande mudança” é sua capacidade exclusiva da linguagem simbólica falada e escrita. O homem é capaz de abstrair, deixar de lado o concreto imediato e penetrar no mundo de idéias, no abstrato mundo da lógica, das teorias científicas e da matemática.

Mas fica a pergunta: De que modo esse “Terceiro Mundo” mostra-se adequado para descrever o mundo real? Esta é uma questão difícil de ser respondida, pois não temos como escapar do uso do nosso binóculo humano: sempre percebemos e descrevemos o mundo com a estrutura biológica que possuímos conforme uma determinada época.

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