Informação Neural: unidade do SNC

Importância dos circuitos cerebrais íntegros

Espera-se de um bom cérebro estar bem informado, avaliar adequadamente os fatos internos, que se passam no interior do organismo, e, também, os externos, que ocorrem no meio ambiente sócio-cultural, principalmente, as relações com as pessoas próximas e, por fim, tomar decisões conforme tudo isso. Toda essa tarefa do sistema nervoso do animal, homem ou outro, visa a beneficiar a sobrevivência e a satisfação de cada organismo particular. Através dessas informações o animal ou a pessoa poderá obter, da melhor maneira possível para ele, os suprimentos necessários à sua sobrevivência e, também, da espécie, ou, de modo mais simples, obter os frutos do meio e escapar dos sofrimentos.

Logo após o nascimento, o recém-nascido é possuidor de padrões neurais iniciais ou inatos, importantes e essenciais para sua sobrevida. O sistema nervoso, já preparado ao nascer, tem como função principal atuar na regulação das diversas partes do organismo para evitar que o recém-nascido morra. Os circuitos cerebrais iniciais, como uma fiação elétrica de uma residência pronta para ser usada ao terminar a construção, permitem organizar e manter diversos comportamentos gerados pela ativação dos vários setores existentes (ações motoras, autônomas, hormonais) que vão se ajustando diante dos desafios da vida comum e da história evolucionária de cada espécie. Além do mais, principalmente no caso do ser humano, os circuitos iniciais podem também se desenvolver para realizar outras ações, antes não existentes; modos de pensar e de agir aprendidos durante a história de vida particular de cada indivíduo.

A rede elétrica e química observada no organismo recém-nascido do homem foi construída durante a gestação no útero da mãe, seguindo a orientação de uma planta, projeto e roteiro desenhado pela evolução de nossa espécie durante milhares de anos. Desse modo, após o nascimento, o organismo animal não está ajustado para enfrentar satisfatoriamente fenômenos não-usuais da espécie, como a queda de um avião, a guerra do Iraque ou uma luta de gangues. Entretanto, ele estará preparado para se alimentar, dormir, chorar e sentir-se mal diante de certas situações e bem e relaxado diante de outras.

Informação e unidade do sistema nervoso

O propósito fundamental do encéfalo é adquirir, propagar, coordenar e distribuir informação sobre o corpo e seu ambiente. O cérebro, além de controlar muitas funções importantes, fornece, além disso, um significado para as coisas que ocorrem no mundo que nos circunda. As células dos nervos sensoriais enviam (abastecem) informação ao cérebro de todas as partes do corpo, internas e externas. O cérebro, após avaliar informações, envia orientações através das células dos nervos motores para os músculos e glândulas, produzindo alguma ação apropriada para ser efetivada, seja interna e ou externa. Ao mesmo tempo, alternativamente, o cérebro inibe ações, aquelas que a pessoa tenta não exibir, como um movimento de braço ou perna que nada tem a ver com a conduta desejada, um riso ou um choro num lugar onde tal ação não seria adequada, etc.

Tanto as informações que chegam (sensoriais), como as respostas (as enviadas, motoras ou ações) viajam através do cérebro e do resto do sistema nervoso sob a forma de impulsos eletroquímicos. O corpo contém 30.000 nervos, os quais são divididos em sensoriais, motores e de conexões. Temos 100 bilhões de neurônios (células nervosas) interligados com inúmeras extensões que têm duas importantes propriedades: excitação e condutividade, isto é, elas respondem à estimulação e propagam a atividade elétrica gerada pelo estímulo – impulso nervoso. Os dendritos recebem mensagens de outros neurônios e passam essas para o corpo da célula e o axônio transmite o impulso nervoso do corpo celular para outros neurônios.

O neurônio, a unidade sinalizadora do sistema nervoso, é uma célula especializada, possuidora, por um lado, de vários prolongamentos usados para a recepção de sinais e, por outro lado, de um único prolongamento para a emissão de sinais. Sua estrutura interna é semelhante à das demais células animais, com algumas peculiaridades próprias de sua natureza sinalizadora.

Essa interligação de fibras nervosas e junções permite ao impulso nervoso seguir um número, virtualmente, ilimitado de vias. O efeito é fornecer aos seres humanos uma variedade infinita de respostas em virtude dos impulsos sensoriais recebidos, cada uma delas de uma maneira. O estoque de respostas dependerá da experiência particular vivida por cada indivíduo, do humor e da situação do momento, ou de qualquer um dos numerosos fatores que governam ou dominam cada pessoa em particular.

A natureza integradora do neurônio é conferida por sua membrana plasmática. Esta é uma estrutura especializada na produção e na propagação de impulsos elétricos, tendo como característica mais importante a presença de diferentes tipos de canais iônicos, macromoléculas embutidas na membrana capazes de filtrar seletivamente a passagem de íons para dentro e para fora da célula (neurônio).

Para realizar essa tarefa a evolução dotou os neurônios de sofisticados meios de gerar sinais elétricos e químicos. As células nervosas geram sinais elétricos que transmitem informação. Apesar dos neurônios não serem intrinsecamente bons condutores de eletricidade, eles desenvolveram mecanismos elaborados para a geração de sinais elétricos baseados nos fluxos de íons através de suas membranas plasmáticas.

Numa situação hipotética de “repouso funcional”, o neurônio gera um potencial negativo chamado de “potencial de membrana de repouso”. Este pode ser medido registrando-se a voltagem entre o interior e o exterior da célula nervosa. O potencial de ação, uma vez iniciado, anula o potencial de repouso negativo anterior, tornando o potencial transitoriamente positivo; assim se produz a informação.

Como em todas as células, o interior do neurônio é negativo em relação ao exterior, uma diferença de potencial mantida constante pelo contínuo fluxo de íons através da membrana. Os potenciais de ação são propagados ao longo da extensão dos axônios, sendo que esses sinais fundamentais carregam a informação de um lugar a outro no sistema nervoso.

A geração tanto do potencial de repouso, como do potencial de ação, pode ser compreendida e explicada com base na permeabilidade seletiva da célula nervosa a diferentes íons, bem como na distribuição normal destes íons através da membrana celular. Em resumo: as células nervosas geram sinais elétricos que transmitem informação.

O sinal elétrico que o neurônio utiliza como unidade de informação – impulso nervoso ou potencial de ação – é um episódio muito rápido de inversão da polaridade da membrana, produzido pela abertura seletiva e consecutiva de canais de Na+ (sódio) e K+ (potássio), causando um caudaloso fluxo iônico através da membrana que provoca a inversão de sua polaridade elétrica. O potencial de ação é propagável ao longo do axônio e, portanto, conduzido de uma extremidade a outra do neurônio.

O sistema nervoso não é constituído apenas de neurônios, mas também de uma outra família de células chamadas coletivamente de neuróglia. A neuróglia é um conjunto polivalente de células não neuronais, cujas funções permitem garantir a infra-estrutura para o funcionamento dos neurônios. A função dos gliócitos é a nutrição dos neurônios, a absorção de substâncias do meio externo vizinho ao neurônio e transformação desses resíduos (lixos) em substâncias úteis ao sistema, entre eles, o isolamento da membrana dos axônios, a defesa imunitária do sistema nervoso e outras ações.

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