Conhecimento adquirido: Aprendido, secundário

Imagem - Conhecimento

O estudo dos sistemas onde a nossa própria atividade descritiva (nossa maneira de pensar) é a parte constitutiva deles tem recebido o nome de Cibernética de Segunda Ordem ou Cibernética dos Sistemas Observadores. As explicações científicas são proposições que geram ou provocam a existência do fenômeno a ser explicado, conforme as experiências dos observadores; elas não exigem a suposição à priori de um mundo objetivo independente do observador, examinam a si mesma.

Nossa experiência está indissociavelmente amarrada à nossa estrutura; não vemos o “espaço”, o mundo; estamos inseridos (envolvidos) no que vemos; as “cores” do mundo penetram em nossa mente e as dominam; observamos as nossas observações do mundo. Os seres vivos, de modo geral, são iguais em organização, mas têm estruturas diferentes, e, consequentemente, observam mundos diversos. O morcego não observa o mundo como a águia, o peixe ou a cobra, pois seus órgãos sensoriais são diferentes e suas histórias de vida diferentes também; por fim, suas necessidades e formas de organizarem o mundo são peculiares.

As representações dispositivas

Alguns autores denominam de “representações dispositivas” o nosso depósito integral de saber total, no qual se incluem tanto o conhecimento existente no nascimento, isto é, o inato e genético, como também o adquirido por meio das experiências particulares do indivíduo, ou seja, sua história de vida após nascer.

O conhecimento existente ao nascer baseia-se em representações dispositivas (disposições, prescrições, ordenações) nas partes mais antigas e primitivas do cérebro, as existentes no hipotálamo, tronco cerebral e sistema límbico; essas regiões são comandos de ação biológica necessários à sobrevivência, como o controle do metabolismo, os reflexos, impulsos e instintos; essas disposições geralmente não se transformam em imagens na mente.

O conhecimento da história de vida da pessoa particular, ou seja, o adquirido, baseia-se nas representações dispositivas existentes, tanto no córtex cerebral como ao longo de muitos núcleos da massa cinzenta, localizados abaixo do nível do córtex. Algumas dessas representações contêm registros através de imagens que podem ser recuperadas ou evocadas através da utilização do raciocínio, planejamento e criatividade; outras representações contêm registros de regras e de estratégias com as quais manipulamos as imagens.

Os novos conhecimentos adquiridos são conseguidos pela modificação continuada das representações dispositivas já existentes. Assim, alguns novos aprendizados podem tomar o lugar de certas representações dispositivas antigas fazendo com que essas desapareçam totalmente; outros conhecimentos aprendidos, mais resistentes, permanecem por dias, meses ou para sempre. Quando uma ou mais representações dispositivas existentes são ativadas, elas podem disparar – pôr em ação – outras que estavam até aquele momento em repouso, despertando-as e fazendo com que elas entrem em ação e passem a fazer parte do raciocínio do momento.

A maioria ou todas as palavras que utilizamos na nossa fala interior, antes de dizermos ou de escrevermos uma frase, ocupam nossa consciência sob a forma de imagens auditivas ou visuais. Se não se tornassem imagens, por mais passageiras que fossem, não seriam nada que pudéssemos saber; mesmo as ativadas de forma oculta, não tomadas com atenção pela consciência. Parece não existir nenhuma via anatômica para introduzir informações sensoriais complexas no córtex de associação sem fazer uso primeiro dos córtices sensoriais iniciais, ou seja, passando pelos órgãos dos sentidos.

Mecanismos neurais subjacentes ao pensar e agir

Por não aprendermos esses complicados mecanismos neurais que nos fazem pensar a agir, os homens, não tendo consciência das causas que determinam suas ações, consideram-se, eles próprios, a causa última de suas ações que seriam determinadas pelos próprios fins e ou finalidades delas. Existem duas explicações para isso:

A primeira seria que o vínculo entre a reação comportamental e o que a provoca a ação poderia ser puramente arbitrária. Nesse caso não haveria nenhuma necessidade de compreender os mecanismos subjacentes à conduta; basta eu querer (desejar ou coisa semelhante) para que ocorra minha ação: “Fui ao cinema porque tive vontade” e pronto. Esta “explicação”, que não explica, está relacionada ao “Livre Arbítrio”, “Força de Vontade”, “Liberdade para Agir”, “Minhas Determinações”, etc.

A segunda afirma que o comportamento inteligente pode ser reduzido às combinações de reações meramente mecânicas existentes no organismo. Para essa hipótese, existem diversas variedades de inteligência, e elas não podem ser facilmente comparadas, nem muito menos avaliadas com base numa escala comum. Dentro desse ponto de vista, quando falamos que uma pessoa apresenta um controle cognitivo, estamos nos referindo a um controle da conduta que é realizado através da fixação ativa (sustentação, preservação, manutenção) continuada, forçada ou obstinada das representações mentais: uma meta a ser atingida, um conjunto de informações (“Irei passar nesse concurso de qualquer maneira”; “Tenho que lidar com esses conceitos e a relação (composição) de um com os outros. Tudo de uma só vez”.).

Nesse caso, o representado é preservado inalterável; os jogadores de futebol gostam de chamar essa característica de “determinação”; outros a chamam de “obstinação”, “teimosia” e “cabeça dura”.

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