A Notável Mudança

Imagem - Evolução do Ser Humano

Somente nos últimos 10.000 (dez mil) anos se produziram diferenças culturais extraordinárias. Entretanto, antes disso, há 100.000 (cem mil) anos, geneticamente, 99,9% do cérebro antigo era semelhante ao nosso atual. Faltava algo.

Cada espécie aprende certas coisas mais facilmente que outras. Há cerca de trinta e oito mil anos, apareceram na Europa os primeiros Homo sapiens anatomicamente modernos. Fabricados por esse novo grupo surgiram os primeiros instrumentos musicais, pinturas rupestres, pequenas estátuas e outros objetos nunca antes criados. Há também evidência de que o enterro intencional dos mortos, antes não existente, apareceu, sugerindo a possibilidade, nesse período, da emergência da religião, da idéia de Deus, antes inexistente.

As ferramentas, antes mal feitas, tornaram-se mais eficientes e delicadas. Nessa época surgiram os anzóis, as agulhas e instrumentos para polir pedras e furar couro. Também a corda foi criada e meios de navegação foram inventados.

Mas nem tudo são flores. Houve um avanço sinistro da nova conduta humana (inteligente) e, consequentemente, de maior poder. Ocorreu a extinção de 90% das espécies de grandes animais da Austrália e Nova Guiné após a colonização dessas regiões. Uma extinção semelhante apareceu na Europa e África. Finalmente, o homem de cérebro grande de Neandertal foi exterminado com o uso de novas técnicas e armas pelo novo grupo, os mais inteligentes e criativos. Os homens de Neandertal foram expulsos ou mortos. Não há nenhum homem atual que descende do homem de Neandertal, indicando que não sobrou nenhum para semente.

Mas o novo homem, mais apto e sempre criativo e, ao mesmo tempo, destruidor, não tinha uma anatomia moderna quando comparado com a de milhares de anos atrás; todos eram parecidos. Portanto os 0.1dos genes não atuaram na anatomia. Tudo indica que os 0.1 dos genes responsáveis pela mudança mais importante ocorrida diz respeito ao aperfeiçoamento da linguagem. A fala, nesse grupo, tornou-se muito mais rica do que era antes em todos os grupos de homens descritos: combinamos algumas unidades de vogais e consoantes para formar unidades maiores de milhares de palavras, que são reorganizadas em orações e, finalmente, em períodos.

Um fato interessante: o homem atual, após o nascimento, nós todos, repetimos o estágio ontogeneticamente existente nos antigos mamíferos. Inicialmente temos apenas ações dominadas pelo cérebro antigo, o subcortical (emoções, funções corporais); engatinhamos e depois andamos em pé. Ao nascer, nada falamos. Aprendemos primeiro a soltar alguns sons; depois aprendemos alguns termos para designar a mãe, a comida, etc., até conseguirmos, em torno dos três anos, formar frases e períodos, do mesmo modo que o homem primitivo de 50.000 (cinquenta mil) anos atrás aprendeu.

Atualmente, mesmos os povos tecnologicamente mais primitivos possuem linguagens semelhantes à nossa. Existem várias línguas inventadas pelos homens. Em certas regiões, onde se fala uma língua, alguns utilizam outra, que é uma língua simplificada que permite a expressão e a compreensão razoável. Os primeiros escritos sumerianos apareceram nos anos 3.000 a C; os egípcios, também, 3.000 a. C.

Um resumo das datas após a separação dos primatas-irmãos

O aparecimento e evolução do homem, a partir de sua separação dos chimpanzés, podem ser resumidos da seguinte maneira:

  1. 6 a 4 milhões de anos: separação dos chimpanzés;
  2. Surge o Australopiteco – o mais primário hominídeo relatado – há cerca de 4 a 1.5 milhões de anos (postura ereta; alimento compartilhado; divisão de trabalho; estrutura da família nuclear; maior número de crianças; maior período de inatividade);
  3. Há 2 milhões de anos surge o Homo habilis, mas este era ainda parecido com os australopitecos: ferramentas de pedras para cortar sem cuidado; cérebro variável e maior;
  4. Homo erectus, surgiu de 1.5 milhão a 300.000 anos (cérebro cresceu, uso de ferramentas mais elaboradas, migração da África; campos sazonais, uso de fogo e divisão de funções elementares);
  5. Homo Sapiens Arcaico, nosso imediato ancestral, cerca de 250.000 anos (segundo maior aumento do cérebro; mudança na anatomia da corda vocal; início para assumir a forma moderna);
  6. 50.000, homem moderno;
  7. 38.000, primeiros Homo sapiens sapiens anatomicamente modernos na Europa;
  8. 10.000, produção de diferenças culturais marcantes.

Concluindo: pode-se afirmar que a origem do homem tanto é a origem do Universo há 15 bilhões de anos; como da Terra há 5 bilhões; da vida há 4 bilhões; do aparecimento dos primeiros animais com coluna vertebral há 500 milhões de anos; dos mamíferos, que surgiram há 200 milhões de anos; da nossa família (de nossos parentes mais próximos), isto é, dos primeiros primatas, há 70 milhões de anos e, finalmente, dos nossos ascendentes mais diretos ou avós, que apareceram há 35 milhões de anos.

O gênero humano não apareceu em diversos sítios do planeta, modelou-se, pouco a pouco, num único lugar ocupado atualmente pela Etiópia, Quênia e Tanzânia. Todos os homens, ao que tudo indica, vieram do leste da África. Nosso ramo mais próximo há 10 milhões; nosso gênero há 6 ou 4 milhões de anos.

A capacidade do ser humano para aprender é muitas vezes maior que a existente nos outros animais. Não devemos nos esquecer que a capacidade para aprender foi selecionada, como todos os outros traços; os nossos genes permitiram esse aprendizado do homem diferente do dos outros animais.

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