Recém nascido: Ligação inicial com o Criador

Todas as mães, ou babás, sabem que o cuidado para com um recém-nascido nunca foi, nem será, fácil, simples ou previsível. Os problemas surgidos são, em grande parte, estressantes, e mais, na maioria das vezes, não-familiares, podendo ser decifrados e interpretados de diversos modos, muitas vezes, contraditórios. Não é simples determinar ou adivinhar o que o menino está desejando no momento do choro, ou mesmo, se o que ele necessita poderá ser encontrado. Os sinais fornecidos pela criança à mãe atenta precisam ser, primeiramente, registrados na mente materna e depois interpretados, sendo que a seleção e a avaliação dos dados importantes, que servirão de orientação, são peculiares a cada um de nós. Isso dificultará a ação do responsável para responder às informações rudimentares do bebê.

Uma ação inicial da criança após seu nascimento, bem como de todos os mamíferos e aves, fundamental para que ela escape da morte, é a de se ligar física e afetivamente a um outro animal da mesma espécie e mais bem preparado. Esse protetor inicial é, na maioria das vezes, a mãe do recém-nascido. Essa aproximação – o agarrar-se a um adulto – é um processo instintivo, de origem biológica, fazendo parte da conduta não-aprendida de diversos animais. Assistimos a essa cena no recém-nascido humano, nas relações entre o bezerro e a vaca, o cãozinho e a cadela e o pintinho e a galinha; mas não presenciamos essa ligação entre os répteis e suas crias, pois esses não possuem esse comportamento instintivo. O sistema de ligação afetiva, presente nos mamíferos e aves, é um produto da evolução de sistemas motivacionais/emocionais mais primitivos que não evoluíram nos animais chamados de “inferiores”.

A aproximação mãe/filho, dito de outra forma, essa força interna agregadora, impele o bebê e sua mãe a buscar contato e satisfação após o nascimento. Não devemos confundir a ligação inicial da mãe (ou de outro criador disponível) e seu filho, que é biológica, com os “laços” afetivos que aparecem posteriormente e que foram aprendidos; nesse último caso, essas ligações fazem parte da história de vida de cada um.

Se o criador lê e interpreta acertadamente os sinais fornecidos pelo recém-nascido, ou seja, responde funcionalmente aos pedido, exigências ou súplicas dele, as ações produzidas pela criança serão reforçadas, isto é, elas tendem a se repetirem de forma semelhante. Se a criança chorou por estar com frio e a mãe interpretou o sinal corretamente, agasalhando-o, formam-se padrões funcionais de informações e interpretações conhecidos que se repetem em função de sua eficiência. O oposto aconteceria como no caso da mãe agir de modo inadequado: em lugar de agasalhar o bebê em resposta ao choro, esta lhe dá a mamadeira. Nesse caso haverá uma tendência da criança em diminuir a emissão das informações (choros, lamentos, expressões de raiva etc.), pois elas não tiveram êxito, ou seja, não foram recompensadas corretamente pelo criador, isto é, não foram aliviadas.

Comente!

Você precisa fazer LogIn para publicar um comentário.

Você está lendo...

Crônicas & Ensaios - Uma crítica aos costumes

Capa  Crônicas & Ensaios - Uma crítica aos costumes

Os textos do autor descrevem cenas do dia-a-dia, expressando emoções vividas e memorizadas, observadas pelos "óculos" do psiquiatra, psicólogo e p ...

Livro online (leia aqui!)

Painel de acesso

Veja também…

Abuso / Violência Sexual Abusos nas Receitas Médicas Agressividade e Violência Alcoolismo (vício em álcool) Ansiedade Ansiolíticos Antidepressivos Aprenda a não ser tolo Avaliação Psicológica / Diagnósticos Casamento: felicidade e problemas Charlatões / Manipuladores Comportamento / Condutas Consultas médicas / Exames / Tratamentos Crenças antigas / Mitos / Superstições Cérebro e Mente Dependência Psicológica Dependência Química / Drogadição Depressão Desenvolvimento Cognitivo / Cognição Disfunções Sexuais (Problemas Sexuais) Divórcio / Separação Doentes Mentais - Pacientes Psiquiátricos Doenças e Doentes Doenças Mentais (transtornos) Dopamina Drogas / Medicamentos / Remédios Educação e Conhecimento Efeitos Colaterais Emoções Primárias Emoções Sentimentos Controle Entendendo o Ser Humano Esquizofrenia Estresse (Stress) Estresses Problemas e Adversidades Estruturas Neurais Estímulos Emocionais Estímulos Sensoriais Evolução da Mente Família e Casamento Festas populares e Lazeres Filhos Filosofia Funções Cerebrais Guerra dos sexos Ideologias e sonhos Informação Linguagem e comunicação Jovens Ligações Amorosas / Afetivas / Sociais Linguagem médica / Jargões Livros Online Grátis Livros Psicologia Livros Psiquiatria Mapa mental Medicina Antiga Medo Pânico Memória e Indivíduo Médico vs Paciente Neuro-hormônios peptídeos Neurociência Neuropsicologia Neurotransmissores Oxitocina ou ocitocina Pensamento / Raciocínio Percepção Estímulo Poder da mente Política: Políticos e Corrupção Problemas sociais Psicologia Psicose (Delírios / Alucinações) Psicoterapia / Psicanálise Psiquiatria Psiquiatria Antiga Razão vs Emoção Receitas Médicas / Prescrição de Medicamentos Relacionamentos Religião Riscos para Saúde Saúde mental Serotonina Sexo e Sexualidade Simbolismos Sinapses Sistema Emocional Sistema límbico Sistema Motivacional Sistema Neural Neurônio Sistema Sensorial Sociedade: Valores e Cultura Solidão Suicídio Suicidas Síndrome de Abstinência Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) Transtorno de Personalidade Anti-social (antissocial) Transtorno de Personalidade Narcisista Transtornos de Ansiedade Transtornos de Personalidade Transtornos dos Hábitos e dos Impulsos Transtornos Emocionais (de Humor) Transtornos Sexuais Uso de Drogas (Consumo)