O que é emoção?

Imagem - O que é Emoção?Duas correntes antagônicas discutem a expressão ou o controle das emoções. Uma supõe que as emoções devem ser expressas ou liberadas; para esses, sua repressão (autocontrole) causaria problemas físicos ou fisiológicos. A outra corrente defende o controle das emoções através da razão; conforme essa idéia, nós podemos e devemos dominar nossas emoções e isso seria possível se usarmos nossa mente ou razão.

Tudo faz crer que as duas correntes estão equivocadas: não existe raciocínio sem emoção. Nosso pensamento é guiado, na maior parte das vezes, pelas emoções sentidas e, além disso, é conveniente e necessário constantemente dominarmos e não expressarmos nossas emoções. Somos animais domesticados do ponto de vista sociocultural e, domesticados significa não liberarmos nossas emoções em toda e qualquer situação.

Mas, o que é emoção? Emoção significa, literalmente, “movimento para fora”. Certos “movimentos para fora” são percebidos por outras pessoas; alguns, só pelo seu dono. O termo sentimento tem sido usado para definir a experiência mental provocada pela emoção, ou seja, a percepção e consciência da pessoa diante de sua própria emoção. De um modo concreto: sentimento é ficar irado e saber que está irado.

Como as emoções podem ser, de maneira simplificada, agradáveis e desagradáveis, elas nos sinalizam se devemos ou não aproximar ou fugir da meta; podemos concluir que a motivação acha-se estreitamente ligada à emoção.

Há uma grande diferença entre as pessoas quanto à procura para ser recompensado pela conduta exploratória e a fuga diante da possibilidade de sofrer. Por exemplo, os extrovertidos e os introvertidos diferem-se tanto na maneira de expressarem as emoções, como no modo de serem sensibilizados por estímulos idênticos. Essas dessemelhanças podem ser tanto geneticamente determinadas – relacionadas ao temperamento – quanto aprendidas socialmente.

Emoções ou impulsos inatos

Os milhares de eventos aleatórios que aconteceram no mundo exigiram das espécies continuadas adaptações para conviver com o meio incerto e constantemente em transformação. Algumas dessas adaptações e readaptações gerais, repetidas por longos períodos, foram mantidas em alguns organismos- padrões programados e adaptados – para sobreviverem conforme o meio particular. Entre esses padrões mantidos e úteis a vários animais, estão os circuitos neurais capazes de possibilitarem a expressão de determinadas emoções, pré-organizadas, prontas para serem usadas diante de alguns estímulos percebidos no ambiente externo e, também, no próprio organismo do observador. Exemplos dessas emoções pré-organizadas são as reações emocionais como o medo que aparece diante de um animal de grande porte ou de uma grande envergadura (águias em vôo); certo tipo de movimento como os dos répteis; determinados sons como os rugidos; certos estados corporais como a dor sentida durante uma queimadura ou ataque cardíaco, bem como diversas outras situações.

Os organismos mais simples, cujos cérebros incluem apenas estruturas arcaicas, como os répteis, não possuindo estruturas cerebrais evolutivamente modernas, executam, sem dificuldades, sua simplificada seleção de respostas diante do meio ambiente. No caso dos répteis não existe um “eu” consciente e complexo capaz de visualizar diversas decisões possíveis; existe apenas um conjunto rudimentar de circuitos neurais que comandam a conduta de forma mais ou menos automática, não-reflexiva e, sobretudo, simples; uma vida com poucas escolhas.

Os impulsos básicos como a fome, a sede, a dor e as emoções biológicas como a ativação física e mental, a aproximação ou fuga, a luta e o acasalamento, todos, constituem conjuntos de eventos envolvendo incertezas em função da relação do organismo com o meio ambiente. O sistema motivacional/emocional dos organismos mais simples detecta ou lê, internamente, as emoções surgidas no seu organismo diante disso ou daquilo. A partir desse alerta interno, inicia-se a prontidão ou a atenção voltada para examinar o ocorrido interna ou externamente, para aproximar ou fugir conforme os sinais surgidos ou produzidos pela modificação do estado corporal. Podemos concluir que a condição necessária e suficiente para a existência das emoções consiste na leitura, em resposta aos estímulos desafiadores ou provocadores, dentro e fora do organismo.

A cognição nos seres humanos, com a evolução, tornou-se interligada ao antigo sistema motivacional/emocional. A função cognitiva aumentou ainda mais as informações possíveis para a sobrevivência do organismo particular, ou seja, uma resposta mais sofisticada diante dos acontecimentos eventuais. Resumidamente: os organismos mais evoluídos e complexos, diante das incertezas, utilizam-se, além dos circuitos primitivos, simples e automáticos, comuns a outros animais, circuitos mais complexos, relacionados a neocórtex – setor mais moderno do cérebro – facilitando a realização de respostas sofisticadas aprendidas durante a vida de cada um.

Durante a evolução, todos os organismos, para sobreviverem, desenvolveram sistemas perceptuais que podiam informá-los tanto da existência das provisões do meio terrestre, como de possíveis predadores e, também, da possibilidade de contato com outros organismos da mesma espécie com os quais poderiam relacionar-se formando grupos de apoio ou, ainda, acasalar-se. É desse modo que o organismo fica informado ou orientado para agir em direção a uma ou outra meta, a atraente ou a perigosa. As várias emoções, algumas opostas (prazer/desprazer), são geradas pelas informações que emergem durante encontros entre o organismo e o meio ambiente.

Um comentário para “O que é emoção?”

  1. nossa!!! legal.
    me vi como um animal não domesticado (uma jaguatirica).
    muitas vezes e muitas mesmo, não consigo controlar minhas emoções.
    acho que graças a isso não adoeço mas é muito difícil.
    gostaria de me controlar mais.

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