Nosso Povo: Informações resumidas

Uma conversa, ou um texto escrito, será espontâneo se for conduzido, não por planos hierárquicos cognitivos, mas orientado e composto pelas emoções submersas que irão formar o conteúdo e os objetivos. Por isso, certas pessoas são “interessantes”, outras, “chatas”; uma nos provoca emoções agradáveis, a outra, tédio, nos “enchem” de idéias conhecidas e repetidas.

Pesquisas confirmam que as palavras com valências afetivas, expressões faciais, fotos de pessoas, quando apresentadas num curto espaço de tempo – mesmo subliminares – provocam emoções nos sujeitos da experiência. Isso torna claro que o processamento afetivo trabalha imediatamente após a apresentação do estímulo, ou seja, antes do pensamento ser elaborado.

Ao contrário das emoções básicas, que são inatas, o raciocínio é aprendido conforme a cultura em que vivemos. Ele é utilizado para descrever ou compor os dados dispersos percebidos ou inventados, originalmente isolados uns dos outros. Como o conhecimento através da cognição é indireto, ao contrário das emoções que é direto, a cognição dependerá da “leitura” realizada acerca da relação entre os fatos – nem sempre adequada – pois se assenta no aprendizado e na linguagem com as regras aprendidas.

Sempre a pessoa trabalha com duas metas básicas; estas podem ou não estar em harmonia. Uma parte do eu deseja alcançar os objetivos relacionados à manutenção de si (egoísta): alimentar, ser um bom pintor ou escritor, casar, arrumar um emprego. A outra parte refere-se a ligações com pessoas (pró-sociais); agradar ou desagradar alguém. Tudo indica que os dois objetivos trabalham juntos; busca-se, ao realizar uma atividade, mais ou menos implicitamente, fazer com que outras pessoas fiquem sabendo e satisfeitas com a obra realizada; assim, as duas metas se associam.

A nossa visão do mundo depende tanto do modo como o mundo é, e como nós somos; o conhecimento do mundo depende da nossa capacidade para construir modelos dele: produto da seleção natural e da cultura. Portanto, nosso conhecimento depende, em grande parte, da nossa característica biológica e das coisas como elas são.

Nós só podemos perceber, descrever e pensar acerca de qualquer coisa em termos de sua relação com algo já conhecido; sempre relacionamos alguma coisa às outras. Quando perguntamos o que algo significa, nós só podemos responder colocando o indagado num todo no qual imaginamos existir uma inter-relação no sistema geral. Portanto, definimos o significado de algo conforme as coisas que podem ser afirmadas acerca dele.

Nos nossos encontros com a realidade, principalmente nas relações com pessoas, são despertadas inicialmente as emoções e, logo em seguida, mas nem sempre, entram em ação as imagens, pensamentos, raciocínios lógicos, aumentando a fonte de orientação para a conduta imaginada ou a ser executada. As emoções, continuadamente, influenciam o que estamos conhecendo ou pensando; num nível consciente ou inconsciente. .

Parece que a procura por certas condutas, entre elas, as opiniões emitidas durante conversas, a adesão a uma ideologia, a busca e participação numa religião, o empenho em torcer por um time, tem a ver com a necessidade de estar agindo conforme as idéias e valores de um grupo significativo; “comungando” os ideais dos companheiros. Desse modo, a pessoa se sente ligada ou religada, se incorporando num grupo mais amplo do que seu organismo individual.

Um organismo vivo trabalha fundamentalmente para sua manutenção e reprodução; que nada mais é do que a manutenção da espécie a que pertence. Para realizar essas duas tarefas – conservação do indivíduo e da espécie – as células dos seres vivos contêm informações necessárias para executar esses dois objetivos básicos que dirigem a conduta: a manutenção e a reprodução da vida.

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