Nascimento do Bebê: Primeiros contatos

Imagem - Bebês - Primeiros contatos

Morre um ser aquático expulso da vida intra-uterina, nasce uma criança desvalida, necessitando de extrema ajuda externa. O recém-nascido esforça-se para sobreviver na atmosfera terrestre desconhecida: grita, agita-se, chora, contrai-se, esperneia irado, chuta, agarra, solta, sofre, ainda não tem alegria. Tem fome, busca calor humano, expele sobras desnecessárias; inicia, fora da proteção intra-uterina, uma jornada mais estimulante e perigosa.

Estruturas neurais selecionadas pela evolução, juntamente com órgãos, neuro-transmissores, hormônios, peptídeos, canais, células, água, muita água, sais, condutores, eletricidade, energia, tudo impele o recém-nascido para explorar o ambiente, informar-se acerca dele, aproximar-se ou afastar-se de áreas do mundo onde foi arremessado.

É aceita a idéia de que o indivíduo entra no mundo equipado com um conjunto rudimentar de estruturas genéticas e padrões neurais inatos, juntamente com programas de processamento de informações rudimentares que, por sua vez, começam a desenvolver a relação com o meio ambiente, conforme um curso genético controlado. Este programa inicial permite ao recém-nascido lidar, de forma adaptada, com estimulações fornecidas por grande parte das informações as quais ele está exposto; assim ele consegue sobreviver.

Primeiras condutas: relação mãe/filho

Para agir é preciso que haja um motor interno impulsionando a pessoa para explorar ou investigar o ambiente externo e interno; desse modo, ela conhecerá e avaliará o que lhe proporcionará prazer ou desprazer. A exploração do ambiente, caso provoque uma ansiedade ligeira, agrada o organismo, entretanto, diante de grandes perigos, a ansiedade se torna desagradável e tende a provocar a fuga.

A criança é ativada internamente por necessidades básicas ou fisiológicas de seu organismo; fome, sede, contato e segurança, mas, também, exploração e curiosidade acerca do meio, esperança de que as ações dêem certo. Para isso, ela movimenta-se em direção às metas possíveis de produzir alívio às necessidades produtoras de desarmonias e sofrimentos.

Sabe-se que os recém-nascidos são atraídos, ainda muito cedo, por novidades do meio ambiente, levando-os a “explorar” o ambiente em busca de recompensas e, nessa busca, são ativadas suas “esperanças” de encontrarem algo que lhes dará satisfação, alegria ou felicidade. Durante suas explorações, elas encontrarão também situações que as farão sofrer, nesse caso, seus organismos, automaticamente, produzem vocalizações (gritos, choros etc.) sinalizando pedido de socorro.

Os sinais que a criança possui ao nascer são poucos para indicar seus desejos: ela olha, pega, chora, movimenta-se, engole, rejeita, excreta etc. Meses após nascer, por não possuir ainda a linguagem simbólica usada pelos adultos, ela não saberá explicar o que sente ou o que deseja através de palavras. Seu sofrimento é informado ao cuidador através da linguagem corporal, concreta e no presente, desajeitadamente e em bloco. A mãe, para entendê-la, precisa decodificar as informações usando seu assimilador mental sem-palavras que pode ser ótimo ou não.

As crianças começam a mostrar o que elas são, como indivíduos diferentes, logo após o nascimento. Certos recém-nascidos mostram-se alertas e cheios de emoções e vigor, entrando facilmente em contato com outras pessoas; outros, por sua vez, exibem mais calma e ordem, são fechados, dão menos repostas emocionais aos pais. Alguns bebês desistem facilmente quando não conseguem produzir a resposta esperada em suas mães, outros se esforçam, tentam inúmeras vezes antes de desistir.

Nessa interação, de um lado temos o recém-nascido com suas características inatas, geradas por genes particulares e diferentes para cada indivíduo; de outro lado, há o externo à criança, a maneira como o mundo vai tratá-la ou estimulá-la, especificamente, como os seus criadores – geralmente os pais – irão provocar e ou responder às informações dela.

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