Início do Universo – Começo da Vida: Informações resumidas

Os sistemas cerebrais dos animais foram construídos aos poucos, não pela experiência ganha por cada organismo particular durante uma vida; foram mantidos durante a seleção natural em função do chamado reforço embrionário, isto é, a expressão de condutas que ajudaram os indivíduos, de uma mesma espécie, a sobreviverem. Entre as experiências mantidas pelo reforço embrionário estão os ataques ofensivos, as fugas, os chamados ou vocalizações expressando sofrimento, a postura ou sons indicando conquista ou poder, os jogos grosseiros, as atividades exploratórias em busca de alimento e parceria, o abatimento e tristeza diante da dor, a alegria ou esperança em alcançar o cobiçado e outros comportamentos não-aprendidos e não-condicionados. Essas condutas permaneceram porque elas se mostraram úteis e necessárias à preservação do indivíduo e da espécie.

As unidades químicas básicas associadas às transmissões no sistema cérebro/espinhal e relacionadas às emoções – neuro-transmissores – são muito antigas, nos reportando ao período cambriano iniciado há 570 milhões de anos. É possível que as moléculas transmissoras clássicas evoluíram há 1 bilhão de anos e permaneceram fazendo parte de todos os organismos descendentes, passando por diversas mutações e transformações. As novas formas de neuro-transmissores nascidos através de mutações genéticas conservaram a propriedade de estimular, excitando ou inibindo, as células vizinhas onde se encontram os receptores apropriados.

Pesquisas modernas constatam que certos indivíduos são mais sensíveis que outros aos estímulos provenientes de uma ou mais fontes. Assim, alguns são mais propensos a reagir com raiva a fatos insignificantes do meio; outros estão sempre atentos e supersensíveis aos sorvetes e pudins e, outros, ainda, ao bumbum e às curvaturas. Daí, um estímulo interessante e atraente para uma determinada pessoa, pode não ser um excitante para outra; também, estímulo potente para um poderá ser um estímulo fraco para outro.

O estado do organismo, uma vez estimulado, fará com que ele responda a determinados estímulos sensoriais e não a outros, por estar mais sensibilizado em virtude das alterações nos sensores capazes de gerarem respostas específicas e apropriadas à nova situação vivida. Se meu sistema receptor estiver estimulado internamente com respeito à fome, meu organismo ficará mais atento à possível presença de alimento no meio exterior (minha geladeira, a pastelaria); o mesmo acontecerá com respeito à irritação; nesse caso, em qualquer lugar e momento, estarei pronto para xingar ou brigar; também, poderei estar superestimulado com respeito ao sexo, ficando desperto e atento aos estímulos relacionados a essa área.

As influências, genéticas e ambientais, bem como o uso de certas drogas, podem produzir grandes variações individuais na produção, liberação e efetividade de um determinado mecanismo do neurotransmissor.

De certa maneira, a atividade dos sistemas de punição e de recompensa do organismo pode ser acessível ao portador através das emoções subjetivamente experimentadas por ele.

Os seres humanos não são máquinas orgânicas que dão respostas constantes aos estímulos. O animal culto responde aos estímulos conforme esses são definidos e interpretados.

Durante os últimos meses de sua vida aquática, o feto torna-se assustado quando a mãe fala. Acontece que a baixa frequência do som provocado pela voz da mãe é transmitida através do corpo e do líquido amniótico, que filtra a alta frequência. Esse som que viaja através do corpo, e não do ar, vibra contra a boca, mãos e corpo do feto. Esta bem sentida estimulação tátil – não auditiva – causa uma aceleração do coração e, em seguida, uma resposta exploradora quando o feto agarra o que está flutuando, (cordão umbilical e seu próprio dedo) sugando-os e provando o fluido amniótico.

No estágio de desenvolvimento embrionário, a duração da memória biológica não excede a poucos minutos, pois durante esse estágio do desenvolvimento a memória existente é de curta duração. Portanto, caso as emoções da mãe provoquem excitação no feto, assim que a mãe se acalmar, o feto também ficará tranquilo.

O feto não pode armazenar memórias capazes de serem evocadas através de palavras, pois, nesse período de vida, ainda não se acha desenvolvida a memória semântica (composição, através de símbolos, do percebido). Esta inicia seu desenvolvimento a partir dos dois ou três anos de idade. Nós só lembramos e comentamos, mesmo assim de forma rudimentar, eventos a partir desse período. A idéia de que existe uma “memória fetal” capaz de ser recuperada mais tarde através de palavras não tem suporte empírico, ou seja, é uma crença não sustentada pelos conhecimentos científicos atuais.

Mary Ainsworth mediu o choro das crianças após o nascimento; algumas choram 3 minutos por hora, outras, 20 minutos. A curva de choro cai no segundo trimestre e torna a subir no terceiro. Os meninos que são mais cuidados e tocados durante as interações dificilmente aumentam a quantidade de choro no terceiro trimestre, enquanto os mais isolados choram mais.

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