A Explosão inicial: Agrupamento das Letras

Todos os sistemas estão soldados por forças naturais: a força de gravidade une os planetas, as estrelas e as galáxias; a força eletromagnética une os átomos e as moléculas; a força nuclear forte une os núcleos dos átomos; a força nuclear fraca não é responsável por qualquer estrutura estável. O princípio da ligação é sempre o mesmo; agrupando os elementos, a força transforma em energia uma parte de sua massa.

O Universo, no seu início – de quinze bilhões de anos atrás – situa-se na base da escala. O calor extremo que predominava nessa época mantinha todas as partículas de matéria em estado de dissociação completa e permanente, ou, de outro modo, toda e qualquer associação era imediatamente dissociada. Só havia letras, desorganizadas, desligadas, soltas, bailando sozinhas; não havia possibilidade de formação de “palavras”; muito menos de “frases”.

Não havia o menor vestígio de organização, era o caos primordial. O Universo continua em expansão e esta provocou o resfriamento. A temperatura e a densidade diminuíram com o passar do tempo. Com o resfriamento torna-se possível o aparecimento dos episódios associativos: primeiras formações de “palavras” utilizando algumas “letras” que trombaram entre si e se fixaram devido às forças naturais existentes.

Assim iniciaram-se as primeiras organizações da matéria, ou seja, o nascimento dos elementos, das primeiras palavras. Pouco a pouco, lentamente, foram aparecendo outros elementos naturais que caracterizam os níveis de complexidade do Universo. No início, tais episódios ocorreram ao mesmo tempo, em todos os lugares do Universo. Posteriormente, seu alcance passou a ser mais localizado.

A partir do momento no qual a temperatura caiu abaixo de um trilhão de graus – conforme estimativas – houve a possibilidade da criação dos quarks se unirem, três a três, dando origem aos núcleons. Quando a temperatura chegou a um bilhão de graus, uma fração dos núcleos associou-se para gerar os primeiros núcleos de hélio; a primeira “palavra” formada no Universo. Um milhão de anos após, surgiram novas “palavras”; os primeiros átomos e as primeiras moléculas de hidrogênio foram formados quando, graças à diminuição do calor, os elétrons conseguiram se fixar e permanecer em órbita ao redor dos prótons.

Uma centena de milhões de anos depois, aparecem as primeiras galáxias, dando origem às estrelas do céu. Em seu centro incandescente, as estrelas agrupam os núcleos em núcleos pesados (hélio, carbono, silício, ferro). Com a morte das estrelas e lançados no espaço interestelares, esses núcleos capturam elétrons e tornam-se átomos. Associando-se entre si, os átomos formam moléculas e minúsculas estruturas cristalinas: os grãos de poeira do espaço sideral. Sua aglutinação em corpos sólidos extensos provoca a formação de asteróides e de planetas; sobre alguns se depositam oceanos e atmosferas.

O nosso Sol apareceu quando a galáxia já tinha dez bilhões de anos e as estrelas anteriores lançaram no espaço suas safras de núcleos pesados. A temperatura no centro do Sol é de dezesseis milhões de graus. Já a temperatura do centro da Terra deve ser de dez mil graus, pois esta, ao contrário da lua e dos asteróides, não acabou de liberar para o espaço o calor acumulado no momento de sua formação. A superfície do Sol é, como foi dito, muito mais quente do que a da Terra, sendo, graças a essa diferença de temperatura, a esse desequilíbrio térmico, que a energia solar é aproveitada na Terra.

É a partir dessa informação solar que a biosfera cria e mantém a vida. A cada minuto a Terra recebe uma imensa quantidade de energia luminosa proveniente do Sol. Tal energia chega em forma de uma chuva de fótons amarelos que são absorvidos pelo solo. Essa energia, convertida em calor, é depois remitida para o céu sob a forma de luz infravermelha, sendo, portanto, poucos os fótons que são “predados” ou capturados pela Terra, pois a maioria deles se perde no espaço.

Interações

Todos os sistemas agem ou exercem interação com o ambiente, com o resto do Universo: os átomos absorvem e emitem luz; as moléculas mudam de forma, associam-se e dissociam-se; as bactérias movem-se em direção às suas fontes de alimento. No interior dessas camadas férteis, novas interações moleculares podem associar moléculas leves ou gigantes em células vivas e em organismos vegetais ou animais. Acredita-se que a vida celular surgiu na Terra há cerca de quatro bilhões de anos, já a vida chamada de inteligente há não mais que alguns milhões de anos.

A retirada de energia do sistema material, inevitavelmente, conduz à destruição da ordem ou informação que ele mantinha; essa exige esforço e trabalho, portanto, o uso de matéria. Assim é que a criação, a construção, mudança ou adaptação de qualquer sistema – vivo ou não-vivo, natural ou humano, individual ou social – só poderá ocorrer através da destruição, queda, consumo ou demolição de outro sistema ordenado. Assim, a energia necessária para a emergência e evolução de vida na Terra – para a produção e manutenção da vida – deriva da transformação ou destruição do Sol, bem como transformação da rádio-atividade que ocorre no interior da Terra. (unindo e desunindo quarks, átomos, moléculas etc., formando água, bactérias, vegetais, animais etc., até chegar ao ser humano).

Da mesma forma, nós, homens, nossos parentes, outros animais e vegetais, destruímos a organização ou ordem dos alimentos que nós comemos ou do combustível queimado para alimentar nosso organismo (hidrato de carbono, lípides, proteínas etc.) para nos mantermos quentes, construirmos nosso corpo, em resumo, mantermos a integridade de nossa organização.

Do ponto de vista da termodinâmica, a Natureza aparece como uma cadeia sem fim de transformação de energia originada no “Big-Bang” , ou também, de acordo com outras teorias científicas, sistemas ordenados emergem para a conversão mais eficiente de energia liberada do que seus predecessores.

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