Setor de inteligência da Fábrica

Introdução à inteligência

Além das diversas diretorias localizadas nos andares de cima do organismo/fábrica, há uma diretoria que merece uma citação especial: o Setor de Inteligência e Comunicação Neuronal, pois a maior parte do sistema de informação do corpo da fábrica cabe a esse sistema. Trata-se de um dos mais importantes setores do organismo/fábrica.

Essa secretaria fundamental para a harmonia da fábrica encarrega-se de receber as informações vindas de todas as partes do corpo através do sistema neural, interoceptivo (informação química e elétrica dos órgãos internos: intestino, coração, etc.), como também as informações vindas do mundo externo, isto é, as enviadas através dos olhos, ouvidos, odores, tato, movimentos e equilíbrio, dores e outros.

As informações diversas, uma vez captadas, analisadas e avaliadas pela Subestação de Inteligência são enviadas para os setores competentes de cada região do organismo recrutadas para participar das situações existentes e enfrentadas pelo organismo/fábrica no momento, pois assim outras subestações se preparam para facilitar a tomada de decisão do organismo.

Desenvolvimento e Inteligência da Fábrica

Sabemos que a fábrica humana foi construída com fragmentos, restolhos de antigas fábricas de algas, bactérias, insetos, aves, peixes, batráquios, répteis e mamíferos. A fábrica/organismo humana, bem como de outros organismos mais de sorte, nasceu dotada de um sistema melhor para se viver: estruturas capazes de realizarem julgamentos antecipados acerca dos resultados das condutas, isto é, uma previsão acerca da consequência possível da ação, se ela será ou não vantajosa para ele.

Através do julgamento antecipado esses organismos eliminaram opções inúteis e ou perigosas antes de agirem no mundo incerto. De um modo muito simples esses organismos/fábricas são capazes de imaginar que irá chover sem precisar se molhar e só depois de molhado dizer: “Oh! Tá chovendo! Fiquei encharcado!”. As máquinas humanas, na maioria das vezes, usam a estratégia de previsão, bem como alguns animais.

Essa característica, típica das fábricas-organismos humanos, só foi possível aparecer em virtude de elas possuírem uma estrutura interna capaz de lidar com ações virtual-mentais, isto é, sem precisar sair para condutas campais diretas, ou seja, corpo a corpo com os problemas da realidade. O homem dito inteligente, diante de um problema, antes de tomar decisões, representa mentalmente o problema real existente; ele utiliza-se de ações imaginárias substitutas antes de agir no mundo concreto e real.

A representação (modelo, esquema) é feita a partir da construção de um ambiente interno (interoceptivo), mais ou menos sofisticado, conforme o animal, que, quando bem equipado, pode conter muita informação a respeito do ambiente externo, bem como do interno, ou seja, de si próprio; de suas regularidades e irregularidades. De outro modo, esses organismos, internamente, constroem mapas do meio ambiente externo e interno.

Deve ser lembrado que há um grupo de organismos humanos deficientes quanto a essa habilidade, ou seja, esses indivíduos têm uma má teoria da consequência ou causalidade de fatores diversos. Esses organismos, por exemplo, por não conseguirem deduzir, com margem de acerto, o que eles próprios, ou outra pessoa, estão sentindo diante de um evento, tendem a agir de modo inadequado, ou seja, burro.

A reduzida inteligência do início da vida e ainda no jovem

O desenvolvimento da inteligência do organismo ocorre nos estágios iniciais da vida da fábrica, ou seja, muito cedo. A estimulação do meio ambiente esculpirá o desenvolvimento do serviço de inteligência e um padrão final da organização desse serviço neural. Logo ao nascer, cerca da metade dos neurônios, 100 bilhões, são destruídos, ficando outros 100 bilhões.

Logo nos primeiros estágios da vida da fábrica, mas de forma rudimentar, ela começa a usar a inteligência que possui. Nos primeiros anos da fábrica/organismo, como acontece com todo início de vida, comércio, casamento, curso etc., há uma inteligência ingênua, cheia de planos simples e tolos, hipóteses carregadas de fantasias e pobres de realidade. Mas não só de sonhos se alimenta o organismo/fábrica. Aos poucos, a experiência direta da fábrica/organismo com a realidade dos consumidores e da concorrência, ou seja, do mercado e da competição, faz mudar os planos iniciais acerca de como operar no ambiente.

Aos poucos, a experiência direta da fábrica/organismo com a realidade dos consumidores e da concorrência, ou seja, do mercado, faz mudar os planos e os modelos do mundo. À medida que ocorre o desenvolvimento decorrente da assimilação pelos diretores da fábrica da realidade existente no mercado, um excesso de idéias, planos e sonhos são descartados como inúteis ou prejudiciais ao bom andamento da organização recém-criada. Esse processo parece terminar em torno dos 16 anos do nascimento da fábrica, idade na qual o tipo básico de inteligência, chamada “fluida”, em desenvolvimento, é interrompido.

Ao nascer, virtualmente, algumas fábricas, devido a diversos fatores, possuem não só material melhor, bem como uma melhor disposição e sensibilidade inicial. Uma estrutura mais bem arrumada tende a facilitar, no futuro, um melhor desenvolvimento da inteligência a partir do início da vida. Mas não basta um material inicial de melhor qualidade, bem como uma disposição das diversas estruturas, pois o edifício final será esculpido conforme também a estimulação do meio ambiente. Portanto, mesmo que o material inicial seja de boa procedência e posto no lugar certo, o resultado dependerá do trabalho do escultor (informações do meio ambiente) que irá estimular as características e o potencial da fábrica desde os primeiros dias de funcionamento.

Portanto, o fator estimulação do meio ambiente, crucial para o melhor ou pior desenvolvimento, irá provocar mudanças nas características iniciais e virtuais do departamento de inteligência neuronal da fábrica. Quanto mais informações importantes estocadas e quanto mais associações entre elas existirem, prontas para serem usadas, maior será a capacidade de processar outras informações existentes dentro e fora do organismo/fábrica.

Inteligência e a decoração

Inteligência não é saber de cor listas literárias, nomes de fatos ou outra coisa qualquer. Conhecer de cor fatos não indica possuir sabedoria, dominá-los não quer dizer nada sobre a habilidade de uma pessoa para se sair bem em grande parte das situações. O mais importante que a pessoa sabe não pode ser classificado nem lembrado como são os fatos recordados. Ser inteligente (sábio ou culto) quer dizer ser capaz de entender as perguntas e saber um número suficiente de fatos relevantes para usar como argumentos razoáveis para formular uma resposta; o mais importante é conhecer e utilizar argumentos sensatos. Aprender a pensar e a expressar os pensamentos é o verdadeiro sentido da educação. Portanto, perceber como os fatos estão ligados ou organizados é mais importante que expressar os fatos em si.

Decorar não indica ter obtido conhecimento do material decorado; aprendemos mais as informações que nos ajudam a alcançar um objetivo que nos propusemos atingir. É preciso generalizar, não basta aprender como agir numa certa situação e é preciso também que esse aprendizado se aplique à outra situação, não apenas no específico. Temos medo de generalizar por não sabermos se elas estão certas. Tememos o desconhecido. Colombo chegou à América em 1492. Se esse evento é aprendido como fato ele perde as suas características interessantes e interligadas.

De outro modo, uma fábrica mais inteligente, potencialmente, teria prontas para serem usadas mais informações adequadas aos problemas ocorridos. Assim, a fábrica/organismo seria capaz de responder às necessidades desta diante do mercado de competidores e consumidores, isto é, de certo meio ambiente, de um modo mais eficiente e significativo.

O mapa (ou representação) acerca do ambiente externo existente internamente no organismo/fábrica poderá conter boas e más informações; o indivíduo agirá de forma mais “inteligente” conforme tiver as melhores informações internas sobre a área externa e dentro da própria fábrica na qual vai agir.

Os nossos atos mais deliberadamente planejados mostram os benefícios da informação transmitida por membros de fábricas/organismos de nosso grupo (a própria espécie) em cada cultura (meio ambiente), incluindo, além disso, itens de informação que nenhum indivíduo isolado seria capaz de aprender ou compreender em qualquer sentido que seja. As informações, uma vez aprendidas, se tornam memórias, ou seja, são aprendidas e armazenadas.

Alguns chimpanzés, vivendo em estado selvagem, fisgam, com uma vara, cupins para comer. Entretanto, nem todos eles agem assim. Em diversas “culturas” de chimpanzés, bem como as dos homens primitivos, existiam e existem cupins como fonte inexplorada de alimentação rica em proteína; muitos não fizeram uso dessa possível ação. Isso nos leva a raciocinar que o uso de ferramentas (as ações instrumentais) – a vara usada pelo chimpanzé – não apenas exige inteligência para reconhecer e manter uma ferramenta (sem falar da fabricação), mas confere mais inteligência aos que utilizam as ferramentas percebidas como tal. Quanto mais bem concebida a ferramenta, mais informações estão embutidas em sua fabricação, mais inteligência é proporcionada através de seu uso.

Entre as ferramentas mais importantes usadas por organismos/fábricas semelhantes aos nossos estão as palavras, ou ferramentas mentais (símbolos), ou seja, os conceitos importantes, abrangentes, bem como os concretos e específicos.

Portanto, há um arranjo inicial (organização, estruturação) do sistema de inteligência neural, capaz de ser influenciado ou moldado pelos estímulos do meio ambiente, contudo, que obedece a um determinado período durante o qual o processo pode ocorrer. Tem sido observado que nesse sistema neural existe uma maior sensibilidade às modificações devido ao meio ambiente a partir do nascimento da fábrica até os dezesseis anos. Assim, esse setor ou secretaria, diferente de alguns outros setores, parece ser mais sensível às modificações (maior plasticidade) durante somente os anos iniciais de nossa existência, diferindo de outras secretarias das áreas cerebrais que têm períodos diferentes.

Isto não é para se espantar: as áreas das diretorias centrais situadas nos andares intermediários, não superiores, isto é, responsáveis pelo processamento de níveis mais baixos, tais como o córtex visual primário, são possuidoras da plasticidade que ocorre somente até os cinco anos de idade da fábrica/organismo. Por outro lado, as áreas cerebrais responsáveis pelas direções mais gerais, as situadas nos andares superiores, relacionadas à elaboração de cartas, participação em reuniões, linguagem e inteligência usadas, mantêm o processo de plasticidade por mais tempo, permitindo uma adaptação “superior”, mas sempre assentada no ajustamento prévio das áreas mais baixas.

Funcionários da fábrica que não foram treinados a ler e a escrever e que passaram anos sem esse treinamento são descartados, ou seja, jamais a fábrica gastará tempo tentando ensiná-los, pois eles jamais aprenderão; passaram do limite de aceitação de um aprendizado, onde a estimulação atuaria.

Portanto, o processo de mudança da inteligência da fábrica, que é sensível às exigências do meio, é demorado. Essas transformações geralmente não ocorrem após um simples contato ou estímulo do mercado consumidor e fornecedor, mas sim, após dias, meses, anos de estimulação. Portanto, essa alteração dos sistemas de inteligência e informativo não é um fato simples que faz a fábrica mudar sua rota inicial; são inúmeros os problemas ocorridos e continuados que exercerão ações duradouras e eficazes nos planos e interpretações do serviço de inteligência e informação da fábrica. Diante de cada mudança, internamente a fábrica muda suas rotas de comunicações, tornando-as, caso tudo vá bem, mais rápidas, complexas e mais sensitivas aos fatos do ambiente.

A observação de que esse processo cessa de operar ao atingir mais ou menos os dezesseis anos não significa inferir que a fábrica não mais terá a capacidade de ser alterada em resposta às experiências após a maturidade. De fato, uma fábrica adulta, continuadamente, mostra exemplos de aprendizagem e de memórias; contudo, esses processos, provavelmente, ocorrem em virtude de mudanças de ligações de um ponto a outro que envolvem pequenas modificações nas interconexões existentes, já prontas e definitivas.

A inteligência, diferente do reflexo ou tropismo, exige uma série de diretórios da fábrica para que tenha eficiência e flexibilidade, ao contrário dos reflexos e tropismos que são rijos. Todos os processos dentro da fábrica no uso da inteligência são coordenados pelo sistema ligado ao comando dos córtices frontais, encarregados da tomada das decisões do organismo/fábrica, um sistema que chamei em outro lugar de “Inteligente Informacional”, constituído por células nervosas, substâncias químicas e seus processos. Esse sistema se encontra sempre ativado, ou seja, funcionando sem interrupção.

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