Homem: Controlado Externa e Internamente

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Enquanto alguns obstinados tentam, a todo custo, controlar o meio rebelde, outros, mais conformados e plácidos, deixam as “águas rolarem” e, uns poucos procuram, propositadamente, confusões e nelas se instalam satisfeitos e confortáveis.

Muitos desejam, alguns imploram, ao bondoso Deus: “Que bom seria se pudesse mudar a cabeça do patrão para que ele não me demita”; ou “fazer com que minha namorada não me abandone”; “Iluminar a cabeça do nosso Presidente para que ele nos deixe dormir em paz”.

A maioria imagina que o controle vem apenas de fora. Esses supõem que os amigos e parentes, ou mesmo os políticos, deviam ajudá-los a conseguir o que eles não alcançaram e, muitas vezes, nem tentaram obter.

Na velhice descobre-se – é preciso viver muito e às duras penas – que certos meios são difíceis, outros, impossíveis de serem controlados. Aprende-se que nada se pode fazer diante de alguns problemas como: a violência dos outros, não a nossa; a corrupção; a chatura do discurso político e das eleições; o trânsito caótico; o acidente; a miséria do povo e, por fim, a nossa bobice.

Sabe-se que algumas mudanças jamais podem ser realizadas, outras podem, e, entre estas, muitas dependem de nossa ação. Entretanto, nem sempre temos energia e vontade para lutarmos por essas alterações, assim, posso pretender ser médico, mas não quero gastar meu tempo estudando. Em alguns casos pode existir o desejo e a energia, mas pode faltar a competência necessária: gostaria de ser corredor, mas tenho o pé torto. Por fim, posso ser competente, ter vontade e energia, mas tenho uma auto-estima e auto-eficácia baixa, isso resulta numa autopercepção ou autocompreensão de si mesmo como incapaz, isto é, não acreditando na habilidade. Desse modo tudo dificulta “chegar lá”.

Ao nascermos, tomamos as primeiras medidas, por sinal, grosseiras, para controlar o meio ingrato. O recém-nascido, caso tenha fome, irá chorar, e alguém pode milagrosamente aparecer para lhe dar o leite; se está com frio, chora e, novamente, o protetor lhe aquece. Por intermédio do choro o desconforto é controlado e o bem-estar retorna; para a criança deve ser uma coisa mágica; e muitos adultos continuam usando essa técnica nem sempre milagrosa.

Mais tarde aparecem estratégias mais sofisticadas para controlar o meio e a si próprio. Se estivermos querendo um doce e o pedimos a nossa mãe, ela, por sua vez, pode impor condições. A criança deseja brincar com o vizinho, mas a mãe não concorda, pois está na hora do almoço; nesse caso a criança pode chorar, pedir mais, gritar, tentar manipulá-la ou negociar a ida; em último caso, poderá, até mesmo, fugir de casa e ir morar na casa do vizinho.

Na adolescência e na vida adulta, não só o meio enfrentado, mas também as técnicas para conseguir o desejado tornam-se complexas e difíceis. O jovem quer ter um bom emprego, por conseguinte, casa e comida. Mas, para isso, terá que frequentar, por anos, a escola, estudar muito e deixar de lado diversões atraentes.

Na velhice, inferiorizado e estigmatizado, não mais acreditando no choro e já sem forças, o idoso só pode implorar para receber ajuda do meio, pois sua capacidade para modificar o ambiente externo é mínima e, para piorar, muitos estão debilitados e em uso constante de medicamentos que dificultam mais ainda as ações.

Portanto, durante nossa jornada aqui na Terra os desencontros são muitos, as frustrações amargas. Mas é preciso seguir em frente até o dia final. E assim caminhamos; ora desequilibrados, ora supostamente firmes. Aos poucos, cada um, cambaleando, vai construindo seu caminho particular, imaginando medidas eficazes para restabelecer o “elo perdido”, a segurança sonhada. Mas basta surgir uma peninha de equilíbrio, um tempinho de calmaria e paz, para novamente esse animal surpreendente inventar vias diferentes, novos planos e ações e, consequentemente, novas desarmonias com o ambiente e consigo próprio.

Assim é o homem: age, ao mesmo tempo, evitando as dissonâncias internas e externas (as emoções) e, ao mesmo tempo, provocando-as. Este é seu destino. Ele deseja a paz, mas precisa das desordens, do caos, para se excitar e aprender. Ele planeja, constantemente, situações de risco, o que o amedronta; entretanto esse é o alimento de sua mente, sem ele o indivíduo ficaria no mesmo patamar; mais tolo do que já é.

Muitos imaginam alcançar a felicidade caso conseguissem a paz constante; ledo engano. Precisamos, para crescermos, relacionarmos com os obstáculos, com as dificuldades, pois são as incongruências os nossos nutrientes mentais, que nos fazem crescer; sem eles seríamos idiotas completos e não semi-idiotas.

Um comentário para “Homem: Controlado Externa e Internamente”

  1. Muito interessante.
    Realmente, acho que devemos nos preocupar conosco mesmo e com nossos defeitos e deixar que cada um cresça a seu ritmo próprio.

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