Homem: Animal Engraçado e Tolo

Imagem - Homem Tolo

Apesar de toda sua desgraça gritante, o homem adulto, fraco, física e intelectualmente, como qualquer ser humano, através dos tempos, tem se mostrado engraçado, metido a sebo e, geralmente, tolo. Após adquirir a fala, orgulhosa e arrogantemente, seu hemisfério esquerdo, criador de lorotas, inventou histórias acerca de sua superioridade sobre as baratas, bactérias, mosquitos, gatos, peixes e outros animais. Uma superioridade jamais comprovada. Seria superior em quê? A nossa comunicação por sons, mais desenvolvida ou complexa que dos outros animais, talvez tenha, em parte, nos atrapalhado, pois inundamos o mundo de sons de todos os tipos e ai surgiu o charlatão (o que charla (fala) muito).

Para nos convencer dessa supremacia fajuta, o hemisfério esquerdo escondeu os fatos que comprovariam não nossa superioridade, mas, talvez, nossa inferioridade e burrice. Através de nossa verborréia tentamos, de modo muito infantil, mostrar, por exemplo, a nossa impotência diante dos vírus da gripe e da AIDS. Até esse ser desprezível, pequenino e fraquinho, um minúsculo ser vivo, se torna, diante do fraco homem, um ser poderoso e perigoso.

Somos incapazes de lutar contra as secas, enchentes, ciclones, terremotos e vulcões. Nunca resolvemos a miséria humana, nem sei se há alguém seriamente pensando nisso, pois precisamos de mão-de-obra barata para termos empregados para nos servir. Nada melhor que a miséria para o nascimento dos trabalhadores que aceitam qualquer tipo de trabalho.

O país mais poderoso do mundo jamais produziu um filósofo como Kant ou Hume, um compositor como Beethoven ou Mozart, um contista como Tchékhov ou Balzac, um romancista tipo Tolstói ou Flaubert, um poeta da grandeza de Rilke ou John Donne, um dramaturgo do quilate de Shakespeare. Em resumo: este país nunca gerou ninguém com notável sabedoria como os citados, mas, por outro lado, tem grandes lutadores de boxe, “soccer” e enormes jogadores de basquete e escolheu o genial Bush para ser o seu presidente. Por sua vez, os paises da culta Europa apóiam esse presidente cômico. As guerras continuam; o terrorismo não pára; os seguidores de uma religião matam os adeptos da religião concorrente em nome de seu Deus único, poderoso e bondoso. Até hoje nenhum homem conseguiu reunir os outros em torno de um projeto de paz e de cooperação. Será que somos todos incapazes ou idiotas? Ou de fato não queremos soluções, pois essas trazem outros problemas inconfessáveis? Os jovens continuam a sonhar e a sonhar.

Baseado na crença falsa de superioridade humana, através dos tempos, o homem reivindicou, sem quê nem pra quê, a responsabilidade para si por suas ações, isto é, condutas que de fato pertencem à natureza do organismo biológico e da cultura que ele possui.

Estamos enganados e enganando. Não somos nem tão poderosos, nem tão inteligentes como se tem apregoado; somos mais pra burros-autômatos que gênios-livres. Nós – não escapa um – somos portadores de um grave delírio de grandeza, mas como todos têm a mesma doença, não há nenhum homem capaz de providenciar o tratamento da população; além disso, gastaríamos demasiados.

O homem afirma sua importância na Terra e até fora dela, bem como a de seus deuses particulares, que, lamentavelmente, estão sempre brigando entre si. Qual importância teria o homem? Não sabemos, ou não queremos conhecer. Também não investigamos e, muito menos, discutimos o poder ou a importância dos reis ou dos deuses dos leões, das raposas, dos maribondos, das pulgas e percevejos. Onde se encontram os deuses (ou reis) dos cupins?

O hemisfério esquerdo envergonha o lado direito do cérebro. Sem dar a mínima para o lado direito, o lado esquerdo, sem freio na língua, deixa escapar, a todo instante, nossa burra sabedoria, uma fala mentirosa e que disfarça a nossa gritante incapacidade para educar os nossos filhos e para conviver com nossos amigos (seriam amigos?) da mesma espécie.

Ainda não conseguimos acabar com os viciados em drogas e com os exploradores desses; os assaltos crescem junto às corrupções dos ricos e dos pobres; o trabalho escravo espalha-se atingindo médicos, bancários, motoristas, lixeiros, lavradores, carvoeiros e muitos outros. Aumentam a prostituição e a exploração de mulheres e menores, meninos e meninas para os pedófilos do mundo. Continuam as discriminações dos negros, das mulheres, dos idosos, dos latinos, dos diversos subdesenvolvidos e de todos os com menor poder.

Ostentamos, sem parar, um amor próprio arrogante e vazio. O homem, ora elogia, ora culpa a si próprio. Muitas vezes, também engrandece e macula outros indivíduos. Ele exalta e arruína. Homens são torturados e assassinados para limpar e aliviar a alma dos torturadores; outros, ao realizarem ações chamadas de elevadas (políticas, esportivas, religiosas, científicas, artísticas) são dignificados, ganham medalhas, discursos e dizem que são imortalizados; se escorregam, são enxotados.

O homem não é um ser extraordinário, ele é mais ordinário. Nenhum é nem mesmo responsável por sua conduta, pois essa é comandada por forças que são mais fortes que seu querer. Nós, da espécie “Homo sapiens” (colocaram mais um “sapiens” e ele virou “Homo sapiens sapiens”; um só era pouco para nosso orgulho) fazemos parte de um grupo de seres semelhantes aos obedientes cupins, às ordeiras formigas, às belas e simpáticas abelhas e aos teimosos salmões. Esses animais, bem como todos não citados, formam um batalhão de seres vivos disciplinados, em marcha continuada, do nascimento à morte, na sua busca frenética e incansável por metas imaginadas como sendo estabelecidas ou assentadas por eles próprios. Somos assim também! A diferença está nos poderes que dominam um e outro. Os outros animais estão aprisionados pelos seus instintos e reflexos; nós, por outro lado, estamos aprisionados, também aos nossos instintos e reflexos, mas, mais ainda, estamos controlados pelas regras, deveres, prescrições, ou seja, encarceramento de nossa cultura e palavras escravizantes.

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