Explicação sofisticada do caso do abacaxi e de Jonas: Regiões subcorticais e corticais

Euler gosta de abacaxi porque quando põe um pedaço na boca – ou mesmo antes de pôr – seu organismo sente prazer no momento do contato da fruta com sua boca, especificamente, com as papilas gustativas existentes na língua, sem que Euler faça com seu pensamento nenhum esforço para avaliar positivamente ou negativamente o fato. De outro modo: a parte de seu organismo (regiões neurais e neurotransmissores) comandada por setores chamados subcorticais, situados abaixo do córtex cerebral, daí o nome, são estimulados positivamente, independente de sua vontade, do nome que ele dá a isso e da vontade de outras pessoas. É um prazer natural, que provoca em seu organismo um estado corporal agradável, possivelmente devido à liberação, como disse, de neurotransmissores, entre eles a noradrenalina, serotonina, dopamina e peptídeos como neuromoduladores peptídeos: endorfinas, oxitocina etc. Todas essas substâncias são liberadas durante estimulações agradáveis.

Portanto, Euler gosta de abacaxi porque seu organismo como um todo se sente bem quando ele imagina ou come um pedaço dessa fruta; também, ele gosta de abacaxi porque, ao cheirá-lo, mastigá-lo e engoli-lo seu organismo libera certas substâncias químicas que provocam um estado de prazer.

Aldegundes, por outro lado, não gosta de abacaxi por razões opostas às de Euler. Quando ela imagina deglutir ou quando mastiga o abacaxi, seu organismo se sente mal, há uma aversão e não atração ao comê-lo, possivelmente com inibição da liberação ou produção dos neurotransmissores e peptídeos descritos acima, isto é, dos que provocam prazer. Ao contrário, ao comer o abacaxi o organismo de Aldegundes irá liberar outros agentes químicos, diferentes, isto é, os que são produzidos quando nós nos sentimos mal, com asco, nojo, mal-estar etc.

O mesmo caso do abacaxi acontece com o homem heterossexual diante de uma mulher atraente para ele, num certo momento, num certo lugar etc. Também, os homossexuais diante de um outro indivíduo do mesmo sexo do seu que apresente fatores estimuladores para seu organismo, independente de sua vontade, isto é, quem decide é a parte do seu cérebro subcortical, naturalmente, sem uso de idéias, argumentos, princípios etc., pois são reações automáticas e espontâneas que não dependem de esforço. A região subcortical do cérebro não pensa, mas pode estimular ou desestimular a parte cortical a pensar, raciocinar etc.; a função ou ação do subcortical é espontânea, pura, livre de conceitos e preconceitos.

Entretanto, do mesmo modo que Aldegundes poderá, para agradar a Euler, comer, quase vomitando, abacaxi que ele lhe ofereceu (fingindo que está gostando), também o heterossexual poderá, sem nenhuma vontade interna, mas simplesmente para agradar o amigo ou, ainda, ganhar algum dinheiro, ter um relacionamento homossexual com este ou aquele. E, por outro lado, também o homossexual pode, devido a pressões sociais, medo de desagradar os pais e etc. transar ou mesmo casar-se com uma pessoa do sexo oposto ao seu, manter relações sexuais com esta, ter filhos etc. Segundo estatísticas que li, não sei se estão certas, essa conduta ocorre em 15 a 20 % dos homossexuais, sejam masculinos, sejam femininos.

Como descrevi, no caso da relação de um homossexual com um parceiro do outro sexo, ou do heterossexual transar com um homossexual, influenciado, não por pressões da região subcortical, mas sim pelo comando autoritário da região cortical, eles, durante as carícias típicas do contato sexual, possivelmente terão o mesmo “prazer” que ocorreu quando Aldegundes comeu o abacaxi para agradar Euler.

Esse esforço para agir de “maneira correta”, segundo as “normas” do grupo majoritário e não conforme o “biológico” ou subcortical, é uma imposição de alguns sobre os outros (minoria). Muitas vezes, aceitamos ou confundimos a maioria (a voz do povão) com o certo (a voz de Deus). Inúmeras crenças que foram aceitas pela maioria como corretas, foram, posteriormente, rejeitadas, também pela maioria atual (escravidão, proibição das mulheres votar etc.).

De outro modo: as normas sociais (leis, padrões) da população e da Igreja, muitas vezes, não se harmonizam com as “leis”, padrões dos estados corporais das pessoas. As papilas gustativas de Aldegundes não se harmonizam ao odor e gosto do abacaxi tão apreciado por Euler. De modo semelhante, ainda não foi bem explicado o que leva um grupo menor da população adulta a procurar parceiros para contatos sexuais com indivíduos do mesmo sexo, diferente da maioria de adultos que procura parceiros de sexo diferente do seu. Esse grupo “estranho” maior e “certo” seria “tão doente” quanto o enorme grupo da população que não quis ser médico como eu, bem como o grupo que não gosta de futebol, de bordar, praticar alpinismo ou criar abelhas. Não tenho a estatística dos esquisitos, como Aldegundes, que não apreciam o saboroso abacaxi.

2 comentários para “Explicação sofisticada do caso do abacaxi e de Jonas: Regiões subcorticais e corticais”

  1. gostaria de uma ideias para apresentar meu trabalho sobre frutas e peguei abacaxi…
    muito obrigadooooo

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  2. Lendo este artigo, tive uma dúvida: O fato de uma pessoa gostar ou não de abacaxi seria determinado genéticamente ou será que algum fator ambiental exerceria algum tipo de papel nessa questao?
    Acredito que os estímulos externos podem sim influenciar as sensações boas ou ruins quando experimentamos algo, logo não acredito que seja um comportamento completamente involuntário.
    Se na natureza o normal é a busca pela procriação, seriam aqueles que se atraem pelo mesmo sexo algum tipo de falha genética, mutações?
    Afinal, o normal seria o desenvolvimento de genes que tendem a fazer com que o animal busque acasalamento, de outro modo, a espécie estaria comprometida.
    Fico pensando se influências ou certos acontecimentos de infância, bem como, apologias podem ajudar o cérebro a tomar algo como prazeroso ou não.

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