Duas classes de homens: Cultos e Incultos

Imagem - Cultura - Alfabetização

“Na sociedade humana, em todos os seus níveis, as pessoas confirmam-se entre si de um modo prático, nesta ou naquela medida, suas qualidades e capacidades pessoais…”

Martin Buber

A lei proíbe a segregação racial, entretanto a segre­gação cultural ocorre em todo o mundo e ninguém reclama contra ela. Poucos a percebem, ou talvez não desejem vê-la. Assistimos, continuamente, à formação de grupos se­gregados quanto ao nível e profundidade dos conhecimen­tos adquiridos. Com este desnível, cada grupo apresenta sensibilidade diferente quanto aos estímulos e aconteci­mentos do mundo. A divisão intelectual separa os indi­víduos de forma semelhante à existente com respeito às posses materiais.

Para indicar melhor a separação entre as castas, certas cerimônias são usadas pelos diferentes grupos. Alguns reali­zam reuniões ou festividades semanais ou mensais, fazendo uso de roupas especiais, onde apenas entram os “irmãos”, outros grupos têm sua própria imprensa, jornais e revistas especializadas, sua linguagem e jargões como a Associação Médica, a dos Engenheiros, do Banco do Brasil, dos Gays, das Mulheres Nuas, da Agricultura, etc. Além disso, excur­sões e passeios são organizados e adaptados para as pesso­as do grupo. Até as praias do país tem sido divididas confor­me as classes: média, rica, dos artistas e dos farofeiros.

Para aumentar ainda mais a separação, cada gru­po processa, assimila e expressa as informações do meio através de conhecimentos e raciocínios diferentes. De outro modo, as premissas ou suposições básicas com que um grupo raciocina, bem como as formas de atri­buir causalidade aos acontecimentos, diferem frontalmen­te entre os cultos e incultos. Um pequeno grupo raciocina seguindo as normas da lógica formal, já o grande grupo usa e abusa do antro­pomorfismo, do animismo e do pensamento mágico para compreender e explicar os acontecimentos.

O resultado prático disso é que os incultos falham mais nas previsões dos acontecimentos. A “lógica” dos incultos, afastada das regras tradicionais, extrai conclusões esdrúxulas, liga in­formações que jamais estiveram associadas, como disse minha faxineira: “Maria é esperta, porque nasceu em São Paulo”.

No exercício da profissão médica nota-se facilmente essa diferença ao examinar um paciente de um grupo e outro. A maneira de descrever o aparecimento da doença, sua evolução, bem como os possíveis fatores a ela asso­ciados, ou seja, suas possíveis “causas”, são descritas de forma totalmente diversa pelos dois grupos. O “diálogo”, quando existe, entre essas diferentes “castas”, é quase im­possível, pois um imenso vão os separa.

Não há projeto para diminuir essa divisão. Tudo indica que, com o passar do tempo, o espaço entre os dois modos de pensar tende a aumentar. O prejuízo é imenso para to­dos. Os fatores, econômico e término de curso “superior”, não são os únicos responsáveis pela diferença. Existem pessoas ricas, outras formadas no terceiro grau, que estão culturalmente segregadas, fazendo parte do imenso grupo dos analfabetos ou semianalfabetos.

A lei proíbe a segregação racial, entretanto a segregação cultural ocorre em todo o mundo e ninguém reclama contra ela. Poucos a percebem, ou, talvez, não desejam vê-la. Assistimos, continuamente, à formação de grupos segregados quanto ao nível e profundidade dos conhecimentos adquiridos, como entre os líderes e os liderados. Com este desnível, cada grupo apresenta sensibilidade diferente quanto aos estímulos e acontecimentos do mundo. A divisão intelectual divide os indivíduos de forma semelhante à existente com respeito às posses materiais.

Para indicar melhor a separação entre as castas, certas cerimônias são usadas pelos diferentes grupos; alguns realizam reuniões ou festividades semanais ou mensais, fazendo uso de roupas especiais, onde apenas entram os “irmãos”; outros grupos têm sua própria imprensa, jornais e revistas especializadas, sua linguagem e jargões como a Associação Médica, a dos Engenheiros, do Banco do Brasil, dos Gays, das Mulheres Nuas, da Agricultura etc. Além disso, excursões e passeios são organizados e adaptados para as pessoas de um e outro grupo; até as praias do país têm sido divididas conforme as classes: média, rica, dos artistas e dos farofeiros.

Para aumentar ainda mais a separação, cada grupo processa, assimila e expressa as informações do meio através de conhecimentos e raciocínios diferentes. De outro modo, as premissas ou suposições básicas com que um grupo raciocina, bem como as formas de atribuir causalidade aos acontecimentos, diferem frontalmente entre os cultos e incultos. Um pequeno grupo raciocina seguindo as normas da lógica formal; o grande grupo, para compreender e explicar os acontecimentos, usa e abusa da intuição que se apóia no antropomorfismo, animismo e no pensamento mágico.

O resultado prático disso é que os incultos falham mais nas previsões dos acontecimentos. A “lógica” dos incultos, afastada das regras tradicionais, extrai conclusões esdrúxulas e liga informações que jamais estiveram associadas, como disse minha faxineira: “Maria é esperta porque nasceu em São Paulo”.

No exercício da profissão médica nota-se, facilmente, essa diferença ao examinar um paciente de um grupo e outro. A maneira de descrever o aparecimento da doença, sua evolução, bem como os possíveis fatores a ela associados, ou seja, suas possíveis “causas”, são descritas de forma totalmente diversa pelos dois grupos. O “diálogo”, quando existe, entre essas diferentes “castas”, é quase impossível, pois um imenso espaço separa um do outro.

Não há projeto para diminuir essa divisão, e tudo indica que, com o passar do tempo, o espaço entre os dois modos de pensar tende a aumentar. O prejuízo é imenso para todos. Os fatores econômico e término de curso “superior” não são os únicos responsáveis pela diferença; existem pessoas ricas, outras formadas no terceiro grau, que estão culturalmente segregadas, fazendo parte do imenso grupo dos analfabetos ou semi-analfabetos.

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