Desenvolvimento do Organismo/Fábrica

Quando a fábrica inicia suas atividades, isto é, logo após ser inaugurada (nascer), as ligações entre as diversas subestações, secretarias, regiões, núcleos, setores e comandos centrais são quase que indiferenciados. A partir do início das atividades produtivas da fábrica essas conexões entre um local e outro começam a ser instaladas e, dependendo da complexidade do mercado externo enfrentado (das condições do meio ambiente), elas podem ir se tornando cada vez mais e mais complexas até a fábrica atingir certa maturidade e uniformidade padrão de atividade (produção e informação). Na maturidade da fábrica/organismo há uma tendência para as conexões se estabilizarem, sendo mínimas as formações de novas ligações informativas.

A hipótese para o crescimento das conexões entre os diversos setores inteligentes da fábrica apóia-se, de um lado, na qualidade do material usado do qual ela foi feita e, por outro lado, na interação desse material especial com o meio ambiente sempre em transformação; um material orgânico capaz de ser transformado ou plastificado diante de estímulos. Nesse último caso, os estímulos existentes no meio ambiente externo à fábrica provocariam ou forçariam as mudanças verificadas nas conexões internas entre os operários ligados ao serviço de informação.

Assim, a sensibilidade do material usado na construção do organismo/fábrica reage diante da qualidade dos estímulos (luzes, sons, sabores, odores, movimentos, palavras, princípios, mitos etc.) existentes no meio ambiente externo. As informações entre um local e outro (entre um operário e outro) no interior da fábrica seriam modificadas para se conseguir uma melhor e mais atualizada adaptação ao meio ambiente externo, anteriormente desconhecido.

Essas transformações nas conexões adaptativas na rede interna de informações são produzidas para que a fábrica consiga sobreviver adequada e eficientemente no mundo externo complicado onde ela foi lançada (está instalada).

O organismo/fábrica pode ser edificado e crescer num ambiente rotineiro, simples, contendo poucos fatos mais complexos ou assustadores; nesse caso, o novo organismo nascido não precisará de grandes mudanças no seu interior para obter uma boa adaptação, pois as exigências externas são simples. Entretanto, por outro lado, não haverá um desenvolvimento notável, capacitando-o a viver em diferentes ambientes. Por outro lado, caso o organismo/fábrica nasça ou, por conta própria, procure ou seja jogado num mundo complicado, haverá, sem dúvida, maior sofrimento, mas, em compensação, maior riqueza ou variedade de mudanças internas e, portanto, maior capacidade de enfrentar situações complexas.

Resumindo: a fábrica/organismo só poderá crescer e se modificar internamente a partir de estímulos existentes no mundo exterior ao organismo e conforme as alterações existentes nesse mercado cada vez mais hostil, inteligente e competitivo. A fábrica/organismo só poderá sobreviver satisfatoriamente caso se coadune às exigências impostas pelos possíveis compradores ou arrendatários de seus produtos, pois assim poderá desenvolver, para conviver com essa complexidade (caos, desorganização) se suas habilidades internas forem modificadas em conformidade com o conjunto das fábricas/organismo alheias (amigas, inimigas, indiferentes) à sua própria.

É importante notar que as leis (tramas, relações) que regem a fábrica individual não são as mesmas que regem o vasto e complexo setor externo (social/cultural), pois este último tem suas próprias leis e é possuidor de uma natureza diferente; funciona relativamente independente da ação da fábrica/organismo individual.

Pouco a pouco o infantil organismo/fábrica vai se tornando adulto. Modifica-se internamente diante dos problemas encontrados e captados pelos seus poderosos radares; todas, ou quase todas, são situações antes não previsíveis quando na inauguração (nascimento) da fábrica/organismo.

Passo a passo, com a incorporação de novos estímulos, eventos, frustrações, alegrias, muito e muito esforço, a direção da fábrica vai reformulando os velhos modelos acerca do mundo externo. Muitos pilares amados e venerados precisam ser destruídos para que a edificação possa continuar viva e eficiente, se possível, feliz; do contrário, a fábrica terá que ser fechada, ir a falência (morrer, precisar de ajuda externa, ser transferida para uma prisão ou hospital, receber a curatela de alguém).

Caso sobreviva e desenvolva há necessidade das idéias e dos planos antigos serem frequentemente reformulados; muitos devem ser deixados para trás de modo definitivo, apesar de terem sido defendidos pela história dos organismos/fábricas semelhantes.

Passo a passo, novos modelos do mundo externo vão se formando e tomando o lugar dos antigos, outros padrões vão se modificando ligeiramente para se adaptar à nova realidade, princípios indicadores de regularidades, bem como de possíveis catástrofes e, diante disso ou daquilo, surgem e dominam a conduta, mesmo na ausência de estímulos diretos vindos do mundo exterior. Portanto, possuidora de maior conhecimento do local onde se instalou, o gabinete decisório da fábrica, através do seu sistema de inteligência, torna-se capacitado para extrair ou inferir como o meio ambiente deverá funcionar, isto é, prever o futuro com boa margem de acerto. Todas as fábricas humanas normais – com seus diversos setores – não doentes ou lesadas, são potencialmente aptas para “ler”, com bastante acerto, a expressão contida nas fachadas (face) das fábricas encontradas, deduzindo se o “rosto” ou “portaria” daquela fábrica é indicador de raiva, medo, trapaça, amor, amizade etc.

Algumas fábricas, por defeito de construção inicial (nascença) ou de erro de desenvolvimento (obtenção de princípios extremamente inadequados para o mundo vivido), não possuem essa importante função: a percepção e a intenção da fachada da outra fábrica.

Um departamento do organismo/fábrica, subestações dos córtices pré-frontais, tem um importante papel nessa capacidade de ler a fachada dos outros edifícios prevendo a possível intenção ou plano da outra fábrica. Esse importante departamento do organismo/fábrica pode ser destruído por traumatismos cranianos, tumores e apresentar defeitos para desempenhar seu papel devido a transtornos desde o nascimento, isto é, uma incapacidade ou dificuldade para acionar os setores encarregados da defesa da fábrica, por exemplo, inexistir os sinais de medo. Nesse caso, não existindo medo diante de riscos, o indivíduo pratica a primeira idéia que lhe vem à mente sem reflexões a partir de outras informações valiosas.

Essa conduta, mostrando uma enorme dificuldade para perceber a conduta que vai dar errada, é frequente entre os chamados de “sociopatas”, também denominados de “anti-sociais”, popularmente chamados de safado, cara-de-pau, charlatão, etc. Nesses casos, grande parte da fiação da fábrica pode estar normal, entretanto, a estação que recebe os dados, até certo ponto da comunicação de maneira exata, não trabalha adequadamente com essas informações corretas.

Portanto, somente se a fábrica mantiver essa “sagacidade” – habilidade para prever riscos diante de uma ação ou relação com a concorrente – a fábrica/organismo sobreviverá com sucesso, pois saberá, com mais segurança, com quais fábricas deverá fazer parceria e com quais deve cortar relações.

Durante o desenvolvimento das fábricas, algumas delas podem se tornar peritas na arte de detectar “fachadas”, isto é, possuidoras de uma excelente “teoria da mente”. Outras, por outro lado, comem mosca a todo instante e são passadas para trás por não notarem nas fábricas vizinhas intenções perversas. Depois, lamentam a “falta de sorte”: “Não podia fazer isso comigo”; “Que bandido”.

Finalizando minhas idéias: de acordo com o discutido, a construção e o desenvolvimento final da fábrica/organismo e, consequentemente, sua ação no mercado (comportamento diante do outro organismo/fábrica), não são fixados de um modo estático e para sempre pelo projeto inicial elaborado pelo setor produtor dos genes. O serviço de informação e de inteligência da fábrica, que faz parte do sistema neural, pode, dependendo do material da fábrica e do meio ambiente onde ela foi instalada, desenvolver muito ou pouco, iniciando com os fundamentos existentes logo após a construção simples do nascimento. Essa base primitiva virtual permite e é arrumada de modo a crescer e ou ser em parte alterada conforme as experiências vividas e nesse caso dizemos que a fábrica é plástica, isto é, moldável em parte conforme o meio ambiente. Esse arranjo do sistema de inteligência e informacional da fábrica irá permitir uma continuada adaptação do organismo/fábrica ao meio ambiente sempre em mudança, isto é, a se ajustar aos fenômenos em transformação que vão ocorrendo fora da fábrica/organismo.

De outro modo, isso significa que a fábrica poderia produzir, à medida que vai alcançando a maturidade, vários artigos que no seu início ela não seria capaz de fabricar, mostrar, alugar ou vender. É possível que as transformações sofridas com o tempo não podiam ser imaginadas pelos mais capazes diretores da fábrica nos seus primeiros meses e anos de fundação, ou seja, logo no início do funcionamento, pois os objetivos vão sendo construídos devagar, conforme os sucessos e os fracassos, ou seja, conforme a experiência e história construída. Também, muito cedo, a direção da fábrica não podia imaginar ser possível a fábrica criar tantos artigos como passou a produzir. De fato, mecanismos novos, conforme os desafios do meio ambiente externo, são construídos a partir dos antigos. Assim, as novas estratégias irão permitir à fábrica/organismo se adaptar à realidade existente e a funcionar mais inteligentemente no ambiente físico ou social onde ela está instalada e atuando.

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