Defesa da Fábrica: Imunologia

Imagem - Imunologia

Ora o organismo/fábrica é invadido por um vírus, ora por uma bactéria; às vezes, é ferido, sendo parte da fábrica destruída e, geralmente, busca-se reconstruir o lesado. Mas a fábrica, como todas as modernas instituições, tem sua guarda especial: a secretaria para manter a segurança, que é chamada de “Sistema Imunológico”. Essa secretaria que vigia e luta contra todos os invasores, estranhos ao trabalho e à eficiência de cada setor, defende a fábrica/organismo de todos esses possíveis inimigos: vírus, bactérias, parasitas e moléculas tóxicas e estranhas ao recinto.

Há já preparada, ao nascer, uma pequena guarda pronta para agir rápido. Entretanto, caso haja necessidade, um novo corpo de guardas é treinado e preparado para combater invasores específicos. Há escolas prontas para exercer essa função, alojadas em compartimentos da grande fábrica. Vamos imaginar, por exemplo, que a fábrica foi invadida pelo vírus X da gripe e que nesse caso a fábrica ainda não conhecia esse inimigo, portanto não tinha como combatê-lo pronta e eficientemente; não tinha ainda preparado um pelotão treinado para esse inimigo.

Explicando melhor: geralmente a Diretoria do Sistema Imunológico faz uso de alguns soldados chamados glóbulos brancos; estes estão sempre prontos para fazer a defesa do prédio seja lá que inimigo for. Eles, uma vez recrutados, partem para a luta. Entretanto, muitas vezes, devido à simplicidade desses soldados “pau pra toda obra” e sem treino e habilidade de um lado e da complexidade do inimigo, de outro lado, esses defensores sem treinamentos especiais geralmente acabam por perder a batalha inicial.

A central, percebendo que a derrota está preste a ser concretizada, convoca um batalhão de soldados do grupo dos glóbulos brancos para que eles se submetam a um treino especial, visando a criar um grupo de elite; um adestramento que dura cerca de, mais ou menos, quatro a cinco dias. Esses antigos soldados rasos, sem maior conhecimento de táticas e estratégias de guerra, após um cuidadoso ensino, se transformam em guerreiros do “grupo especial” de guerrilha, destinado a combater o inimigo específico, ou seja, o vírus X invasor.

Bem preparados para aquele inimigo único, conhecendo todas as suas artimanhas, esse grupo especial quase sempre derrota o inimigo. Uma vez tendo destruído e expulsado o vírus X pelos novos combatentes, a central mantém, para sempre, como precaução, essa guarda especial já formada, de prontidão, para que, no caso de uma nova invasão do grupo já conhecido, haja um pelotão pronto para combater o mesmo inimigo. Nesse caso falamos que o organismo ficou imunizado contra o vírus X. As vacinas são “inimigos” amigos, que penetram na fábrica, fingindo ser inimigos, mas que provocam os soldados para que eles sejam treinados e preparados para combater os verdadeiros inimigos caso eles tentem invadir a fábrica. Desse modo, uma fábrica adulta (não a fábrica recém-criada e infantil) tem diversos pelotões formados de soldados treinados e prontos para combater inimigos específicos e já conhecidos.

De outro modo e pensando o oposto: um organismo pouco exposto (ou nada exposto por ser “muito bem cuidado”) a diversos invasores possíveis não irá formar nenhum pelotão de defesa, consequentemente, diante de uma “invasão” de germens diversos, essa frágil fábrica será destruída por falta de um exército treinado e capacitado para a defesa do território do organismo. Algumas “doenças” parecem ser, de fato, uma destruição, pelos próprios soldados encarregados da defesa do organismo, de certas partes deste. Acredita-se que na ausência de inimigos, por excesso de higiene, cuidados exagerados, não há estimulação e treinamentos dos soldados encarregados da defesa da fábrica, pois não há invasão de estranhos. Assim, talvez para se treinar, sem o que fazer e entediados, eles atacam o próprio organismo e o destroem.

Uma descrição semelhante, mas não-metafórica

Nos processos de aprendizagem adaptativa não-dirigida (aleatória), ações do organismo são empregadas não apenas nos “reconhecimentos de formas” que caracterizam nosso sistema cognitivo, mas também na constituição e no funcionamento do sistema imunológico, uma verdadeira máquina de aprendizagem e de integração do novo, desta vez no nível de formas celulares e moleculares.

Os linfócitos são ligados entre si e com os antígenos que constituem seus estímulos externos, por mecanismos de reconhecimento molecular ao nível de suas membranas. O desenvolvimento desse reconhecimento, não-dirigido, é condicionado pela história dos contatos com diferentes antígenos; um encontro que não foi previamente programado. Assim, e por isso, há possibilidade de uma variedade praticamente infinita e imprevisível de reações imunológicas, a partir de um número finito de linfócitos determinados.

O sistema imunológico produz modificações em certos glóbulos brancos e envia esses glóbulos para áreas do corpo ameaçadas. Essa e outras produções irão ajudar o organismo (corpo do indivíduo) tanto na luta contra a causa do ataque (o micróbio invasor), como na restauração de um tecido lesado.

Outras defesas do Fábrica/Organismo

Ao contrário do que chamamos de inteligência, a fábrica, já ao nascer, possui diversos conhecimentos que a ajudam a funcionar independente do que ela vai aprender durante sua convivência com o meio ambiente. Esses conhecimentos, facilitadores de ações, funcionam sem o auxílio direto da diretoria central, pois são prontidões, reflexos básicos, capazes de reagir, automaticamente, diante de perturbações que causam, por exemplo, susto ou alarme. A fábrica tem suas próprias defesas (seu sistema original de alarme) quando é incomodada por um ruído inesperado. Semelhantes aos reflexos, ou seja, sem precisar do auxílio da central, a fábrica, automaticamente, reage ao que chamamos de “tropismos”, isto é, reage, diretamente, não indiretamente, através do auxílio de uma série de diretorias; a fábrica, sem esforço, escolhe a luz ou o escuro, o frio ou o quente etc., tudo sem usar complicados mecanismos.

Há ainda ações que foram aprendidas através da central, mas que com o uso continuado, aos poucos, elas se automatizam, como acontece com a fala (não ficamos, numa conversa, examinando cada palavra que usamos, ou como iremos organizar nossas frases gramaticalmente). Do mesmo modo, estão automatizadas as condutas relacionadas à escrita, tomar um banho, tirar a roupa etc. que praticamente pouco uso faz da central, isto é, elas passam a ser coordenadas pelo primeiro comando, o subcortical, sem consciência de seu uso.

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