Alguns Eventos na Vida de Maria

Imagem - Estresse no Casamento

A raiva: Maria é agredida

Maria foi agredida verbalmente por seu marido. Imediatamente seu organismo se preparou para a nova situação ou, de outro modo, para o estresse surgido. Ela pode ter se sentido irada. Nesse caso seu organismo produzirá substâncias que a levarão a xingar ou agredir fisicamente seu marido – o que desencadeou o estado emocional desagradável e, também, a liberação de adrenalina, cortisona, ACTH, etc.

A produção de neurotransmissores e peptídeos, conforme as emoções, intensas e fracas, agradáveis e não-agradáveis, fazem parte do organismo desde seu nascimento, sendo, portanto, inatas, frutos de seleção natural. A liberação exagerada dessas substâncias fez aumentar, por sua vez, a liberação de glicose no organismo de Maria que, por outro lado, facilitou a agressão verbal ou mesmo a física caso ocorresse. Durante a raiva aparece ainda um aumento da pressão arterial, da contratura muscular; tudo isso ajusta-se à emoção sentida com a efetivação da conduta adequada às intenções produzidas em Maria.

Maria e seu medo do marido

Mas, ao invés de Maria ter sentido raiva, vamos imaginar que ela sentiu medo. Caso isso ocorra, as substâncias químicas liberadas serão outras, pois a ação imaginada para ser utilizada será diferente. Além disso, caso Maria sinta medo e, ao mesmo tempo, perceba e ou imagina que tem grande probabilidade de escapar da agressão do marido, as substâncias químicas liberadas serão de um tipo. Por outro lado, quando Maria imagina ou conclui que ela está impotente nas mãos do marido agressor, isto é, não há como escapar de sua fúria (como geralmente ocorre num sequestro), as reações do organismo, entre elas, a liberação de substâncias químicas, serão outras.

De modo semelhante, se colocarmos um rato dentro da água de modo a simular um afogamento, seu organismo, diante desse estresse, produzirá certas substâncias químicas; por outro lado, se o rato é colocado diante de um fogo ameaçando-o de morte, as produções químicas internas serão outras diferentes de quando ele estava preste a se afogar. Esse arranjo visa a adaptação do organismo à situação imaginada, vivida ou intencionada; para isso ocorre a produção de hormônios, neurotransmissores e outras substâncias e, também, outras mudanças corporais como contração ou relaxamento muscular, o aumento ou diminuição da pressão, a contração ou relaxamento intestinal etc.

Em qualquer dos casos são excitados circuitos, centros, vias, conexões anatômicas, há produções de neurotransmissores, peptídeos, e outros agentes químicos, que interligam as várias partes do sistema nervoso central. Através desses diversos mecanismos internos o organismo tenta se manter vivo e em harmonia nos seus diversos setores, conforme os objetivos visualizados pelo indivíduo.

Maria fica apaixonada

Maria aproxima-se de José; ela está alegre e animada com o “jeito” dele. Teresa, uma segunda mulher, aproxima-se de José e tem uma reação oposta, isto é, tem repulsa por ele; ela imagina ir embora logo. Nessa historinha nota-se que o “objeto” externo e “real” é o mesmo, José, que, por definição, se comporta de modo semelhante diante das duas mulheres. Entretanto, o “objeto psicológico” ou “representação psicológica” “José”, construído por uma e outra mente, é diferente para uma e outra.

A característica singular de uma e outra produz, também, ativações diversas nos seus centros emocionais. Consequentemente, suas avaliações quanto à atração ou repulsa são contrárias. É possível que Maria, diante do encantamento provocado nela por José, formulasse ou traduzisse o sentido por seu centro emocional da seguinte forma: “Ele é um homem muito charmoso”; “Ele me causou um bem-estar delicioso”. Por outro lado, Teresa, que foi atingida negativamente pelo “estímulo” José, construiu verbalmente as seguintes idéias: “Detestei! Senti nojo dele”; “Que homem mais antipático! Deus me livre e guarde!”.

Às vezes não ocorrem avaliações antagônicas, mas semelhantes quanto ao prazer, ou desprazer, mas diferentes quanto ao potencial ou grandeza do prazer, ou desprazer; por exemplo, uma delas ficará muito atraída, a outra, um pouco atraída. As emoções variarão num caso e outro.

As frases arrumadas por Maria ou por Teresa, uma condensação do observado e selecionado, foram construídas através das experiências vividas por cada uma delas, das lembranças no momento da construção das frases, das situações já vivenciadas e memorizadas, lidas, vistas nas histórias, novelas, filmes etc. que se assemelhavam, conforme sua percepção tida e escolhida, das características de José. O fator linguagem utilizada terá importância, pois ajudará a decisão de aproximar ou escapar do estímulo, a buscar a melhor e mais sensata conduta.

Maria apresenta outras emoções

Muitas vezes o estímulo bom ou ruim, agradável ou desagradável, não ocorre apenas diante do estímulo “visão”, mas também de outras sensações como do odor: “Como fede esse cara! Puxa!” ou “Ele usa um perfume delicioso”. Podemos também estar atraídos ou afugentados devido aos sons agradáveis ou desagradáveis vindos de sua voz: tom e timbre, por exemplo: “Tem uma voz de locutor; forte e bonita”; “Fiquei toda trêmula com seu vozeirão”; “Que voz chata, estridente. Detestei”. O julgamento pode ser gerado também a partir de sensações tácteis, como os “amassos”, beijos e outras coisas mais: “Não me esqueço de seus deliciosos beijos”; “Foram os “amassos” mais “sexys”que experimentei.Que delícia!”

Temos a tendência a procurar perceber o “objeto” causador de nossa emoção, seja ele agradável ou desagradável. Se me sinto aborrecido diante da conversa de José, meu organismo, automática e inconscientemente, produz substâncias que mudam o funcionamento normal antes existente, preparando-me para uma fuga ou briga; disparando a emoção adequada, desagradável ou agradável. Após sentirmos as emoções traduzimos o sentido para as palavras: “Achei ele tão chato. Nem dormi direito”, ou “Que simpatia, fui para casa cantarolando de alegria. Quero-me encontrar outras vezes com ela.”

Uma emoção disparada num momento, devido à fisionomia, a uma ação qualquer, a uma conversa, o tom bonito da voz, ou qualquer outro fato provocador do desencadeamento das emoções leva a pessoa a ficar alegre ou aborrecida no momento, mas também horas depois do fato acontecer, pois as secreções que nos colocam prontos para a aproximação ou para o afastamento duram por muitas horas, ou seja, muito tempo depois do fato ter acabado.

Resumindo: para que Maria fique possessa, feliz, triste, ou com qualquer outra emoção, é necessário que surja um estímulo (interno e ou externo) no seu organismo; uma crítica, um elogio, uma notícia boa ou ruim, um encontro interessante ou seu contrário etc., isto é, fatores desencadeadores das emoções. Mas Maria pode ter outras emoções, tais como as decorrentes de um esbarro com o joelho na cadeira, uma queimadura da mão no fogão, a observação de um acidente diante de sua residência, uma comida ingerida e que lhe deu enjôo, um cheiro de podre que ela não sabe a origem, um atrevido desconhecido que lhe faz um gracejo sem graça, o inconveniente que encostou, em pé no ônibus, o corpo no dela, um “trombadinha” que lhe roubou o dinheiro para pagar a conta de luz e muitos e muitos outros fatos.

Pois bem, em todos os exemplos inventados e descritos acima existem alguns estímulos (cheiro, dor, contato indesejável etc.) que foram sentidos e percebidos por Maria. Para que o estímulo seja notado (“roubaram meu dinheiro”) é necessário que ela perceba o roubo no momento ou horas depois. Tudo que notamos (percebemos) tem que ser sentido por nossos radares especiais (nossos diversos órgãos sensoriais) que transmitem o impulso (batida do joelho na cadeira) provocador da dor até regiões mais elevadas do cérebro, as corticais, para que o fato possa ser processado (entendido), identificado e, muitas vezes, nomeado com um nome feio ou uma frase não tão feia: “Diabo! Feri meu joelho. Tá doendo…”.

Um fator provocador do aparecimento das emoções, negativas ou positivas, mais complexo é o do discurso, isto é, as idéias que são transmitidas no momento do encontro, ou mesmo dos solilóquios, ou seja, das “conversas internas” que temos com nós mesmos. Da mesma maneira que a visão do corpo de José poderá excitar Maria, e fazer Teresa fugir, ou o cheiro, a voz, o modo de se vestir etc. pode entusiasmar ou afugentar uma pessoa, também, e isso é frequente, as idéias, o assunto ventilado, o modo como as palavras são arrumadas e ligadas às outras, isto é, a construção das frases, tudo isso pode atuar como fatores importantes para desencadearem emoções positivas ou negativas, levando a aproximação ou a rejeição e afastamento da pessoa alvo.

Caso o relato expresso se coaduna com o gosto ou a preferência do ouvinte, isto é, a pessoa se identifica com o escutado, serão produzidas no centro emocional emoções positivas. Essas emoções “boas”, uma vez produzidas, levarão a pessoa a ter mais simpatia pelo emissor do discurso. O contrário ocorre se o ouvinte escuta do interlocutor idéias das quais detesta e ele se irrita, tem raiva ou nojo do emissor das frases; isso aumenta sua antipatia pelo emissor desagradável.

Quando ouvimos uma palavra, uma frase, uma idéia de um falante qualquer, nosso órgão sensorial, a audição, captará sons que podem ser agradáveis e melodiosos ou seu oposto, estridentes, agudos, fanhosos etc. No primeiro caso, esses sons tendem a nos causar uma emoção agradável; no segundo, emoções desagradáveis. Mas isso não é o mais importante.

Ao ouvir uma conversa, podemos ouvir um palavrão, uma opinião sobre um assunto, uma preferência por isso ou aquilo, ou seja, o nosso interlocutor, provavelmente, nos mostrará um pouco ou muito de seu estilo, gostos e preferências, ou seja, sua maneira idiossincrática e peculiar de interpretar o que sente, escuta, aprecia ou não aprecia etc., principalmente naquele momento e contexto. Tudo isso tem uma enorme importância na nossa avaliação das pessoas, consequentemente do nosso prazer ou desprazer ao estarmos com o indivíduo.

Imediatamente após o som escutado ter atingido o cérebro do ouvinte, ele é decodificado, isto é, interpretado e traduzido para palavras, compreendido de acordo com a linguagem usada numa cultura. Assim a memória armazenada no indivíduo é acionada acerca da agradabilidade ou da repugnância daquilo que foi falado pelo emissor. Desse modo o organismo do ouvinte recupera as emoções positivas ou negativas, agradáveis ou ruins, diante do que ouviu através das memórias antigas e armazenadas.

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