A Miopia do Homem

A miopia do Homem

Nós, pobres seres humanos, enxergamos e vivemos numa pequena parte do mundo. Sem perceber o “grande e vasto mundo”, construímos nossos raciocínios sobre o universo a partir dessa pequena amostra com a qual temos acesso; o restante ignora. Dentro de nossa miopia, damos uma grande importância aos fatos que percebemos ou imaginamos perceber e nenhuma, como não podia ser diferente, aos não notados e não supostos.

O ingênuo cidadão, orientado por este minúsculo mapa, toma suas decisões de forma extremamente limitada, pois não poderá fazer escolhas com base num conhecimento que não possui. Ele, na melhor das hipóteses, só poderá considerar alguns poucos aspectos específicos, relativamente independentes, existentes nas áreas conhecidas ou possíveis de se conhecer que ele imagina ser importante. Assim, por exemplo, ao comprar um aparelho de televisão (escolheu comprar esta em lugar de usar o dinheiro de outra forma) a pessoa pouco ou nada perceberá dos efeitos dessa compra sobre outros aspetos de sua vida, a sua possível relação com outros tipos de problemas trazidos pela compra realizada. Assim, é pouco provável que ele tenha se lembrado do móvel para colocar o aparelho; o seu peso para levá-lo ao conserto caso necessite; o custo que terá caso estrague; como são suas garantias etc. Estes atos da vida do comprador – os distantes – possivelmente serão efetuados pela mesma pessoa que fez a compra, entretanto, esta poderá não imaginar que condutas de sua vida serão alteradas a partir de se ter uma televisão em casa, entre essas, ele irá sair menos de casa ao ficar vendo TV; irá ler menos; deixará para depois a viagem pretendida, pois fez gastos agora; haverá brigas familiares para disputar os programas a serem assistidos etc.

Vivemos num mundo que se poderia chamar de “mundinho”, pois, apesar da existência de milhões de variáveis ou aspectos do universo que aparentemente poderiam afetar uma às outras e, talvez, nos importunar, não tomamos consciência desses fatos, não sabemos de sua existência. Nós detectamos e pensamos apenas sobre um reduzidíssimo número de fatos ou eventos.

Talvez, para muitos, não haja necessidade de se saber como tomar decisões, se essas são ou não acertadas, se são ou não sábias, pois, vivendo seu pequeno mundo – sempre dentro de um outro mundo vasto – o indivíduo desconhece outras razões para se viver além das poucas que ele possui. Ora, se as pessoas sobrevivem, elas tomaram efetivamente decisões, pelo menos adaptáveis. O homem não é o único animal que toma decisões ajustadas através da execução de planos presos a alguns valores e deixando de lado outros. Os animais também o fazem. Mas estes executam planos mais simples ainda que os nossos: roubar a banana do visitante distraído; ficar estático, por instantes, para facilitar o bote na presa etc. Praticamente quase todos os planos são complexos e incluem diversos valores ao mesmo tempo, e, por isso, alguns têm mais importância que outros, dentro de uma hierarquia. Entretanto, poucas vezes temos uma visão geral dessa hierarquia de valores ligados a cada um dos passos de nossas ações imaginadas para completar o planejado.

Muitas vezes, ao executar um plano, a pessoa não tem um valor claro do que deseja. Assim, muitos poupam dinheiro sem uma finalidade específica imediata à vista, mas simplesmente para uma época difícil, uma emergência, a velhice, para qualquer uma razão vaga. Essa conduta fornece ao agente uma sensação de competência para executar uma variedade de objetivos, mas é muito vaga.

Para a maioria das pessoas há uma espécie de satisfação e de segurança, associada à competência; na ausência de um objetivo muito específico, trabalharão simplesmente para melhorar o nível geral de aptidão e informação, que contribua, indiretamente, para uma melhor competência.

Frequentemente nos encontramos fazendo coisas desagradáveis, que detestamos, mas que estão, supostamente, incluídas num plano mais vasto, hierarquicamente organizado, cujo valor final o justificará. Não é agradável estudar horas ou meses, mas é “bom” passar no concurso, ganhar mais, mudar de vida, ou, no mínimo, ficar livre da ação ruim (estudar), pelo menos isso nos dá prazer.

O homem tem uma grande capacidade em renunciar aos prazeres ou desejos do momento, buscando alcançar uma meta incerta longe no tempo e, às vezes, pouco provável. Muitos homens, imaginando algo que virá no futuro, fogem de tudo que é prazeroso, abandonam metas desejadas, acreditando que isso o conduzirá à meta pretendida. Dedicam sua vida ao sonho. Infelizmente este pode não ocorrer.

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