O Feliz Encontro Indesejado

Imagem - Feliz Encontro Indesejado

Laura chegou a casa cansada, pois havia trabalhado sem parar desde cedo. Eram seis horas da tarde, seus três filhos, já adultos, não jantariam hoje em casa. O pai deles, seu ex-marido, aniversa­riava naquele dia. Ela se separou há cerca de cinco anos, mas não decidira ainda ter um novo companheiro. As decepções do amor dominavam sua cabeça. Apesar de um pouco solitária, às vezes ela se sentia feliz por estar mais livre para fazer o que quisesse. No caso de Laura, sua liberdade significava não fazer nada. Com a sepa­ração, ela não ganhara nada de extraordinário na nova vida de sepa­rada ou de mãe solteira, como ela mesma designava sua situação. O seu lucro com a separação foi a ausência do sofrimento, portanto ela deixou de sofrer com as brigas constantes com seu ex-marido. O resto de sua vida continuava sem sabor, como sempre fora… Ela aposentou-se há dois anos, cheia de planos de “aproveitar a vida”. Até aquela data não fizera nada que fosse importante e de que pu­desse se orgulhar.

“Agora, sim”, afirmava Laura, “irei fazer o que eu quero”. En­tretanto, os filhos já na universidade, com mais gastos e ainda sem emprego e, além disso, o pai ganhando pouco, criavam uma série de dificuldades para lhes dar algum dinheiro, mesmo o estabeleci­do por lei. Desse modo Laura foi forçada a arrumar um novo em­prego e era o que estava fazendo. Esforçada, séria, combinava bem com os desejos dos diretores da firma para explorá-la ao máximo, dando-lhe, em troca, alguns elogios, sorrisos hipócritas e uns pou­cos reais.

Hipnotizada com os elogios e sorrisos, Laura se esquecia do salário, que sempre seria aumentado desde que a situação do país melhorasse, o que não ia demorar. Ela, paciente como sempre fora, menos com o marido nos últimos tempos, esperava a mudança político-econômica do país, para que a firma tivesse mais lucro e assim decidissem aumentar seu salário e, posteriormente, realizar seu sonho, até agora adiado.

Naquele início de noite não sentia fome. Tinha-se acostumado a comer pouco à noite, pois tinha pavor de engordar, mesmo sendo magra. E sempre, após um dia de muito trabalho, ela perdia o apeti­te, pois levava para casa as preocupações com os problemas da fir­ma, que os diretores passavam para ela, para que eles pudessem des­cansar e viajar tranquilos. Mesmo sem fome, decidiu preparar algo leve para comer. Ao entrar na cozinha e abrir a geladeira, percebeu que ali não tinha os ingredientes necessários para se fazer um lanche mesmo simples, pois faltavam ovos, queijo e presunto para preparar a omelete imaginada. Decidiu abrir os armários e viu que tudo estava acabando. Havia pouco óleo, açúcar, café, arroz. Decidiu que era melhor tomar coragem e ir fazer as compras naquele dia. A decisão, a princípio não muito convidativa, se concretizou, ao perceber que bastou a ideia de comer uma omelete, para que sua fome adormeci­da despertasse. Além disso, com os filhos não estando em casa, seria mais fácil sair, pois não teria que preparar nada para eles. Pensou no supermercado, na pizzaria ali existente, e teve vontade de comer, lá mesmo, antes das compras..

Animada com essas ideias e lembrando que já tinha tempo que não saía à noite, sem ter o que fazer, tomou a decisão final de sair, pensando:

“Vai ser um passeio agradável. Saio, faço as compras, como a pizza e dou um passeio de carro’’.

Foi fácil sair, pois ainda não havia trocado a roupa do traba­lho. Retocou a sua pintura simples, examinou a face preocupada com uma pequena olheira que lhe aparecia sempre que estava cansada.

Não estava mal. Fechou a casa com cuidado, foi até a garagem e deu partida, após verificar que tudo estava bem. Dirigiu-se ao su­permercado que não ficava longe do seu apartamento.

O trânsito já estava tranquilo, sem engarrafamentos. Laura sen­tiu na rua um vento agradável, diferente do calor abafado existente dentro de seu apartamento após a chuva de verão que caíra naquela tarde. Sentia-se satisfeita de ter saído, pois desfrutava daquele início de noite, suave e tranquilo: “Talvez fossem as férias que diminuíram o movimento”, ia pensando Laura, enquanto dirigia. Nuvens bran­cas e muito claras recebiam os últimos raios do sol, desenhando figuras alegres e mutantes no céu. Laura pensava que deveria sair mais. Estava vivendo em prisão domiciliar e no trabalho. Sua raiva da rua e dos seus habitantes se transformava em amor.

Observava os tomadores de cerveja dos botecos assentados em mesas postas nas calçadas, discutindo tudo de importante para a humanidade, resolvendo, com facilidade, os problemas, que antes da bebida subir à cabeça, eram insolúveis. Era interessante esse gru­po e ela sentiu desejo de estar ali entre eles, explicando suas ideias, que eram interessantes para serem discutidas, acerca do casamen­to, da criação dos filhos e de Deus. Provavelmente eles a achariam inteligente e culta. Lembrou-se, numa mistura de alegria, saudade e desejo, de suas poucas saídas à noite, sem rumo, e sem responsa­bilidade. Como começou a namorar muito cedo, ficou controlada pelos desejos e programas do namorado, seu ex-marido. Tirou de sua mente essas recordações. Vivia, diante dela, percepções mais agradáveis do que suas lembranças do passado cruel. Estava só, mas se sentia ligada aos habitantes do fim do dia. Sentia-se presa àquele povo, mesmo sem o conhecer. Sabia que sua alma misturava-se com a humanidade. Precisava mudar de vida, sair daquela vida maldita, escritório, casa, filhos. Lembrou-se, sem querer, dos filhos e assus­tou-se. “E os filhos?” Sentiu culpa de tê-los esquecido. Tinha filhos e estes eram tudo para ela. Lutou contra a ideia de que eles a atrapa­lhavam. Pensava agora firmemente em mudar de vida. Fazia planos, percebia que não fizera nada do que imaginara antes de separar-se.

“Talvez agora esteja pior que antes. Estou-me sufocando com o trabalho para não pensar. Não, era horrível a vida com Mário, ele proibia-me de tudo, era ciumento demais”. Mário sempre descon­fiou dela com pessoas que nunca tiveram culpa. Tentava tirar isso de sua mente. Era difícil, sentia-se mal com os pensamentos que invadiam sua cabeça dividida.

“Ele devia me trair, no seu escritório era uma troca constante de secretárias. Ele mudava de voz quando falava acerca de Vivia­ne e mesmo de Dora, que era feia, mas que ele protegia” Essas considerações não a aliviavam. “Será que ele me traiu? Ele sempre foi mais ingênuo do que eu em matéria de dissimulação. Mostrava com transparência suas emoções no tom de voz, na tosse seca e no olhar que não conseguia fingir ao me fitar. Mário, quando mentia, olhava um ponto qualquer no espaço e ali se prendia firmemente. Suas mentiras eram tolas, acerca do preço da camisa que comprara, que era sempre mais barata do que realmente custara, ou acerca de quem ele encontrou na rua. Eu fingia que tinha ciúme, para justifi­car minhas supostas traições.”

“Sou uma mulher estranha. Agora que estou livre, perdi todo o interesse por algum homem. Durante anos tive medo de me apai­xonar por alguém… Todos os homens são iguais, mesquinhos, acos­tumados por suas mães a receber tudo na mão, sem dar nada em troca, nem ligar para a gente. Todos foram educados erroneamente e só procuram as mulheres para continuar o caminho ou direção mal traçada por suas mães superprotetoras. Mário queria tudo para ele. Desejava que eu fosse sua babá, dando-lhe o café, roupa lavada, refeições e carinho. Mas os homens são tolos em muitos aspectos. Apavorados com o trabalho chato, mas simples, de “dona de casa”, supervalorizam este. Sentem-se impotentes quando sozinhos, sem sua “mãe” protetora. Correm ansiosos e apressados para os braços carinhosos e protetores da mãe, sob qualquer pretexto. Ali se aco­modam e confessam seus infortúnios e a má sorte no casamento e o arrependimento de tê-la abandonado. A mãe, sempre segura de si, tendo criado na mente do filho uma ideia de mulher como ela, orgulhosa confirma o lamento do seu amado filho e reafirma que não faltou aviso seu de que “aquela não era uma mulher para ele”.

Embriagada por esses pensamentos e, por que não dizer, pela liberdade proporcionada pela noite calma e inspiradora, Lau­ra passara, há muito, do lugar onde ela teria que se dirigir para chegar ao supermercado. Mas isso, hoje não a levou a se criticar pelo esquecimento e distração. Ao contrário, ela se deliciava com o passeio e com seus pensamentos que lhe agradavam. Muitas vezes achava-se inteligente e arguta. Gostando de ouvir suas próprias his­tórias, de seguir, sem forçar, sua imaginação, que, como as nuvens existentes no céu, na sua mente rapidamente iam se formando e sendo destruídas, uma após outra, estimuladas por qualquer acon­tecimento externo. Assim, a simples percepção de um cachorro que se aproximou do carro, num sinal fechado, foi o bastante para que sua mente se lembrasse do seu, criado na fazenda de seu pai. Como ele era apegado a ela. Como sua mãe a criticava de ficar abra­çando e beijando seu cachorrinho, como ela fazia com seus filhos. Lembrou-se de como chorou com sua morte e sofrimento, após ter sido picado por uma cascavel terrível. Via claramente, passando como um filme, Bob deitado no chão, uivando tristemente, com um filete de sangue saindo de seu focinho preto e olhando em desespero para ela, como antevendo sua morte próxima. Sentia-se confusa pela impotência. Ainda hoje sentia um aperto no coração, e culpa, por nada ter podido fazer. Olhava-o com piedade, mas também com repugnância, por seu desfiguramento. Imobilizada, ao seu lado, assistiu chorando a seus últimos estertores, sua res­piração desaparecendo pouco a pouco e seus movimentos de dor diminuindo de intensidade. Laura sentiu lágrimas escorrerem de seus olhos e enxugou-os com um lenço de papel. Passou a ter ódio de todas as cobras a partir da morte de Bob.

Ao passar em frente de um barzinho, diante de uma multi­dão de pessoas, mesas cheias de garrafas de cervejas, salgados, garçons, pessoas passando por entre as mesas colocadas nas calça­das, Laura isolou uma única cena, eliminando os outros estímulos: Um senhor de mais ou menos 70 anos de idade, com um andar um pouco inseguro, carregando um jornal embaixo do braço. Lem­brou-se do seu pai.

“Parece meu pai, tirano, bravo, que raramente dava um sorriso para os familiares. Na rua estava sempre sorridente para todos. Exces­sivamente desconfiado com o comportamento de suas filhas quanto à conduta moral. Medo delas se envolverem com seus namorados, beijá-los, abraçá-los e serem mal-faladas no bairro, onde todos conhe­ciam todos. Até calças compridas eram proibidas de usar, pois estas eram vestimentas de prostitutas. Cigarros, bebidas, nem pensar. Mas enquanto isso, ele próprio bebia e fumava e, com frequência, estava ligado a mulheres vagabundas de toda espécie e incentivava meus irmãos a fazerem o mesmo”. Laura lembrava com exatidão como acor­dou certa noite com os gritos e xingamentos de sua mãe, que o pegou deitado com Maria, a nossa cozinheira de 17 anos, que havia chegado há poucas semanas do interior, filha de um capinador de roça.

“Creio que tudo indicava que ele colocou seu Ambrósio para trabalhar para ele por causa de sua mulher Teresa. Uma mulher feia e suja, mas que ele visitava com frequência após o almoço, levando o embornal cheio de rapadura, feijão e canjiquinha para ela, quan­do íamos à fazenda. A discussão foi violenta e acordou todos nós. Meu pai xingou minha mãe e ameaçou bater nela, o que já tinha feito outras vezes e, chamando-a de mentirosa, falou que havia se levantado de cuecas devido ao calor e, ao ir ao banheiro, passou diante do quarto de Maria, que parecia chorar. Ele, bondosamente, apenas a consolava das saudades de casa e do namorado Paulo, que ficara. Como aos poucos o sono lhe veio forte, sem perceber, dormira na cama de Maria. Não houve nada do que minha mãe o acusara. Eu, com meus 10 anos, acreditei em meu pai e revoltei-me com a atitude de minha mãe. Lembro-me bem de meu pai falando firme e alto, como sempre fazia, acerca do fato, convencendo a todos. Talvez até minha mãe ficasse em dúvida.”

Um sinal luminoso fechado limpou de sua mente a figura de seu pai, que ocupava sua mente, para deixar entrar a luz verme­lha antipática, tirana, que obrigava os conformistas e educados a pararem seus carros e esperarem a bela e dinâmica cor verde dos semáforos. Com o seu aparecimento, Laura deu a partida, agora imaginando mudar de vida, voltar a estudar, ler mais como antes, e se pudesse, trabalhar menos e por conta própria. Já estava cansada de patrões, o que tivera toda sua vida. Iria seguir sua cabeça, seu destino, sem homens em sua vida.

À sua esquerda e em alta velocidade, aproveitando o final de sinal de passagem livre, surgiu um carro. Laura percebeu que ele não ia parar e que bateria nela. Acelerou ainda mais para tentar es­capar da batida, indignada com este motorista, que não respeitou a lei. Além disso, acabara com suas fantasias exatamente num bom momento delas.

A batida foi inevitável na parte de trás do carro, obrigando os dois carros a pararem. Sua traseira foi arrastada e a frente do outro carro ali ficou agarrada. Laura desceu furiosa com o amassado de seu carro e pensando já no que teria que economizar para conser­tar aquilo. Seu carro, tão conservado, comprado com tanto custo, ali estava, amassado e feio. O causador de tudo foi um Santana preto, último ano, dirigido por um senhor sério, de boa aparência. Este, sem pressa, descera do carro. Laura, imaginando que ele po­deria acusá-la, ainda que tivesse certeza do contrário, foi descendo e dizendo em tom áspero:

— Como você faz uma coisa destas? Está louco ou bêbado?

O senhor a olhou com os olhos tristes, que ela associou ao olhar do Bob, ao morrer. Envergonhado, desviando agora o olhar fixamente para a frente de seu carro preso ao dela, caminhou len­tamente até lá. Sem nada falar, como que imaginando se ia ou não aceitar sua culpa, que ele tinha certeza ser dela.

O motorista era um senhor alto, vestindo um terno azul claro, com uma bela gravata cinza com uns riscos azulados colocada em cima de uma camisa moderna, clara, com listras cinzas, o que indi­cava esmero e elegância aliados a um bom gosto. Uma grande cabe­leira grisalha, um tanto despenteada. Aparentando uns 50 anos de idade, ou seja, cinco anos mais velho do que Laura.

Com um sotaque estrangeiro e falando um português carre­gado de termos em castelhano, o senhor começou a falar, ainda assustado com o ocorrido:

— Perdoa-me, senhora, o culpado sou eu, não estou embria­gado… Eu pago tudo, sou o culpado, estou é muito confuso.

Laura estranhou a forma educada e simpática do gringo. Ele estava sendo gentil, sem a mínima agressividade, como ela espera­va, e tinha um ar confiável, de gente séria.

“Confio ou não neste homem? Ele pode estar tentando me tapear,” pensou Laura. De qualquer forma ela não mais conseguiu xingá-lo. Ele convidou-a a sair da rua e encostar o carro, para com­binar o que fariam. Nova suspeita de Laura: – “É agora que ele vai escapar. Eu saio, ele vai embora. Chamo, ou não, a perícia?” Con­fusa e desconfiada, Laura decidiu dar partida no carro e encostar mais adiante no local combinado. O medo era grande. O gringo entrou no seu carro, logo após Laura dar partida, e tranquilamente a seguiu, conforme o combinado. Ela sentiu vergonha de si mesma, de seus pensamentos.

O senhor desceu do carro, aproximou-se de Laura e apresen­tou-se:

— Meu nome é Carlos, sou chileno, mas moro no Brasil há al­guns anos, trabalhando numa firma multinacional. Sou viúvo, pois minha mulher faleceu há três meses de leucemia, após ter ficado de cama por mais de três anos. Tenho três filhos adolescentes e depois da morte da mãe deles, virei mãe e pai”.

Percebia-se claramente sua necessidade de desabafar com a primeira pessoa que encontrasse e que estivesse disposta a ouvi-lo. Laura pensava:

“Já desisti das compras e o meu jantar fica para outro dia”. Não estava achando aborrecido ouvi-lo. Ele continuou sua longa história, por mais de meia hora, com sua voz triste, olhando com dificuldade para o rosto de Laura.

— Estou confuso. Vivo culpando-me de não ter cuidado cor­retamente de minha mulher e agora de meus filhos.

— Trabalho muito e constantemente viajo a negócios. Por isso não posso dar a assistência em casa como desejo. Na doença de minha mulher, procurei os melhores médicos. Coloquei, quan­do ela piorou, uma enfermeira para cuidar dela. Mas eu mesmo não estava perto, como desejava. No dia de sua morte eu não esta­va em casa.” – Nesse momento, o senhor chorou.

Laura teve pena dele, ao ver aquele homem musculoso dian­te dela, contando, emocionado e com lágrimas nos olhos, a morte de sua esposa, os filhos que não o respeitavam e o dominavam. Mas ela não deixava de desconfiar dele. “Este gringo está me pas­sando a perna…”

Foram trocados os endereços, nomes, telefones, assim como a forma como seria feito o conserto do carro. Carlos deixou que Laura tivesse a liberdade de escolher a oficina de lanternagem e de mecânica de sua confiança e, para ajudá-la, deu um endereço de uma oficina que ele conhecia.

Laura saiu confusa e foi tentar dormir, lembrando-se, sem cessar, do que ocorreu.

No dia seguinte matou o serviço na parte da manhã para levar o carro ao conserto. Procurou três oficinas, tomou seus pre­ços. Por último foi à oficina indicada por Carlos. Ao perceber que o preço desta era o mais caro, e tendo confiado no lanterneiro, deixou seu carro ali para o conserto.

Duas semanas depois o carro estava pronto, desamassado, in­clusive nos lugares de pequenos arranhões antigos, que não foram consequência da batida com Carlos. Após o serviço, no dia marca­do, Laura foi buscá-lo. Carlos, mais animado e alegre, a esperava. Mostrou-lhe o carro, mandou que ela saísse um pouco com ele. Assentou-se ao seu lado, pedindo-lhe para observar se tudo estava bem. Não havia nada a reclamar. Carlos entrou no escritório da oficina, fez o pagamento do que devia e voltou aliviado para perto de Laura, satisfeito porque tudo estava bem. Laura preparou-se para despedir-se, mas nesse momento, Carlos, nervoso mas alegre, lhe fez um convite:

— Você já jantou?” Sem esperar pela resposta continuou:

— Vamos jantar juntos para comemorar o conserto do carro. Depois daquela batida, minha vida mudou com as nossas conversas por telefone. Eu pedi ao lanterneiro que apressasse o serviço para poder encontrá-la mais depressa.

Laura sentiu um calor no rosto, que se espalhou por todo o corpo, envergonhada e satisfeita com as declarações inesperadas. Há anos não ouvia uma voz masculina carinhosa, há anos não sen­tia aquilo. Lembrou-se de sua adolescência e dos primeiros namo­rados. Entrou no seu carro e dirigiu-se para o restaurante combina­do, tendo à sua frente Carlos, dando-lhe a direção. Parou, desceu, sentido-se leve e feliz, e caminharam para uma mesa limpa e acon­chegante no fundo do restaurante. Enquanto saboreava um fino vinho chileno, Laura refletia:

“Quantos fatores pequeniníssimos, que podiam não ter acon­tecido, se ligaram, ao azar, para que esse encontro se realizasse. Di­versos, como uma demora a mais num semáforo, uma acelerada ou freada que se fizesse e nós não bateríamos. Milhares de outros fatos podiam não ter acontecido.” Sua mente acelerou-se com essas ideias de como pequenos fatos conduzem a uma mudança total em nossas vidas. Resolveu embebedar-se naquela noite com o vinho. Tendo ao seu lado seu novo amigo. Carlos pensou: “E eu que podia nem ter renascido. Nem estar aqui…” Meses depois eles se casaram.

Um comentário para “O Feliz Encontro Indesejado”

  1. logo se vê que a Laura era mineira, que desconfiança! Ainda bem que ele era chilenoa

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