Emoções, Sentimentos e Memória

Imagem - Emoções / SentimentosUm ser humano pode sentir, pensar, aprender, criar, porque o seu programa biológico assim o dotou, conjuntamente com a capacidade para sofrer alterações programadas conforme interações com o meio ambiente.

Os sistemas, estruturais e químicos, que integram as emoções, por via nervosa ou sanguínea, funcionam continuadamente. Sabemos, às vezes mais claramente, outras vezes, nem tanto, se estamos excitados, famintos, felizes, raivosos, em alguma extensão. Com frequência, não damos ouvidos para essas importantes informações fornecedoras de pistas para sabermos “qual caminho devemos tomar”, como perguntou Alice ao gato.

Dopamina

É provável que a dopamina seja o neurotransmissor mais antigo existente no organismo de vários animais. Acredita-se que ele apareceu há, aproximadamente, um bilhão de anos. As ideias atuais colocam o sistema dopaminérgico assentado durante a expectativa de algo, isto é, a busca de alguma coisa pretendida, entre elas, o término de uma tarefa não desejada, contar um caso, assistir um jogo etc.

A dopamina é liberada nas sinapses neuronais quando o animal sai à procura de alimentos, sexo ou outra coisa pretendida. Mas ela é liberada ainda quando a mente representa – ainda sem agir – o que se deseja alcançar, ou seja, quando criamos uma visão interna do que pretendemos. Assim, ela prepara o organismo quando eventos possíveis são procurados ou imaginados, ou seja, uma conduta virtual ou potencial.

Os sentimentos fazem parte da vida diária das pessoas. Todos os processos da cognição e da motivação, possivelmente, acham-se interligados e ou comandados pelos estados emocionais experimentados pelos indivíduos. A produção mais acentuada de noradrenalina e de dopamina não só elevam o afeto positivo, mas também orienta nossa maneira de pensar, aumentando e melhorando nossa criatividade ao solucionar problemas. Além disso, torna mais interessante e agradável o envolvimento com pessoas e eventos.

O abuso de algumas drogas acha-se relacionado à ativação de neurotransmissores: a cocaína e a anfetamina reproduzem os efeitos da dopamina e da noradrenalina, aumentando os níveis de uma e de outra; a heroína e a morfina aumentam os níveis de endorfina.

As células que liberam dopamina do cérebro respondem mais às recompensas  não previstas, portanto, quando o agrado é esperado, a dopamina liberada é menor, logo, o afeto positivo – entusiasmo pela ação – deverá ser maior quando há um ganho inesperado. Um relacionamento – ou emprego – altamente cobiçado provoca maior prazer no seu início (maior liberação de dopamina). Entretanto, aos poucos, ele se torna “sem graça” (menor produção de dopamina), às vezes, até chato.

Neurohormônios Peptídeos

As emoções são ativadas pela excitação dos circuitos nervosos dos neurotransmissores e, também, de peptídeos (um segundo sistema de neuroquímicos). Alguns peptídeos – há centenas deles – merecem uma atenção particular com respeito às emoções, entre eles, as endorfinas e a oxitocina. 

Os peptídeos são substâncias químicas que apareceram antes do surgimento dos neurônios; através de mutações, eles sobreviveram não só no sistema nervoso dos animais mais elevados, mas também, nos insetos, minhocas, lombrigas e, além disso, em algumas plantas, leveduras e bactérias.

Alguns peptídeos: Oxitocina

A oxitocina é produzida no cérebro (núcleos supra-óticos e parvoventral do hipotálamo), nos ovários e testículos, tendo importante ação na conduta de afiliação (ligação da cria com o criador ou mãe). Sua produção propicia, facilitando, a resposta sócio-sexual nos répteis, pássaros e, também, em todos os mamíferos. Liberada durante o parto, a oxitocina auxilia a contração uterina e produção do leite materno. Além disso, ela é liberada durante a estimulação dos órgãos sexuais (mamilos, clitóris, glande) e também durante o orgasmo masculino e feminino.

A oxitocina tem sido classificada de “selecionador” ou “estabilizador” das preferências amorosas. Quanto mais o namorado fica apaixonado, mais aumentam os níveis de oxitocina do seu organismo e, também, mais será a sua atração e apego ao companheiro provocador do bem-estar e calma sentida.

Um beliscão ou chute, ao aumentar os níveis de cortisol, prepara o animal ou pessoa para atacar ou fugir; uma leve e macia escovada reduz os efeitos ruins do beliscão – efeito antiestresse – associado ao aumento de oxitocina. Um sorriso nos tranquiliza devido a maior produção de oxitocina cerebral.

Endorfina

A endorfina (morfina endógena) teve esse termo cunhado em 1970 como uma morfina produzida pelo organismo. Os opiáceos endógenos – cadeia de 91 aminoácidos – são analgésicos poderosos, mas também produtores de euforia e de sensação de paz. É liberada pelo organismo em maior quantidade diante de pessoas que nos são simpáticas e agradáveis.

No útero materno o feto está submerso num líquido contendo um alto nível de endorfina, por isso, podemos imaginá-lo tranquilo, sem dores e, talvez, eufórico. Ao nascer, ocorre uma queda repentina da endorfina existente, causando um sofrimento para a mãe e filho. Os altos níveis são recuperados pelos contatos e comunicações mãe/filho.

A ligação mãe e filho é uma experiência extremamente agradável, por isso, o recém-nascido tende a procurar novos contatos pelo resto da vida, por serem as ligações – nem sempre são – uma fonte de euforia e paz.

A separação, ao contrário da ligação, é aversiva e dolorosa; os mamíferos e aves recém-nascidas, diante dela, emitem sons sinalizando sofrimento. A região cerebral associada a essa chamada por socorro é rica em opióides endógenos, talvez, oxitocina. Os “choros” implorando o cuidado maternal-paternal associam-se a uma menor produção de opiáceos endógenos nas regiões cerebrais ricas desses peptídeos (septo e cíngulo). As vocalizações são reduzidas com aplicação de pequenas doses de morfina.

Geralmente, uma pessoa procura a outra para receber, através dela, sua cota de endorfinas ou oxitocina, visando a tranquilidade e euforia. Quando ajudamos alguém, aumentamos nosso estoque dos benditos neurohormônios e, também, ficamos mais calmos, satisfeitos e alegres.  

Numa conquista – ou amizade – somos motivados a agradar o outro, se possível, ultrapassar o esperado por ele; imaginamos receber dele, por isso, a estima e o amor. Esse motivo social está entre as razões mais fortes para que o ser humano – ou outros animais – aja em direção ao outro.

Os apaixonados “doidamente” devem estar nadando nas endorfinas e na oxitocina; felizes e tranquilos, dando pouca importância a outras atividades, pois recebem suas “drogas” através do escolhido/amado. Essa mesma conduta é observada entre os viciados em jogos, trabalhadores ou ginastas compulsivas etc., ou seja, atividades que aumentam os neurohormônios que produzem prazer e calma.

Uma paixão intensa associa-se a uma baixa liberação de serotonina; esta condição, por sua vez, leva o indivíduo a se tornar impulsivo e obsessivo (pensar sem parar na amada). Entretanto, após os primeiros encontros, os níveis de serotonina aumentam. Para tristeza dos apaixonados, o namoro pode mesmo terminar ao diminuir a impulsividade e obsessão.

Nem tudo é um prazer continuado; há um freio que impede o organismo de continuar a gozar indefinidamente. Uma comida saborosa torna-se, depois de algum tempo, indigesta; uma companhia atraente tende a se tornar chata após alguns encontros. O prazer sentido, seja devido à degustação do alimento, da relação sexual ou  do interessante bate-papo etc., torna-se, com o tempo, cansativo e aborrecido. Ocorre que o próprio organismo, após a liberação dos neurotransmissores que nos provocaram prazer, libera outras substâncias que diminuem as ações dos primeiros (antagonistas das substâncias liberadas). Desse modo, há uma inibição do prazer inicial e o que era bom torna-se ruim.

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