Quando as Palavras Mentem

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Josef Conrad escreveu: “Para comover as pessoas é preciso usar, não os argumentos, mas sim as palavras oportunas”.

Esse autor, com essa frase, nos alerta acerca do poder das palavras, da força desses sons mágicos provocadores de ações impulsivas, carregadas de ódio, alegria, tristeza e medo.

Sabemos que através de palavras adequadas despertamos ou criamos: crenças, valores, fantasias e desejos adormecidos que habitam nossas almas. O condutor de massas, o líder carismático e o grande pregador sempre usaram e abusaram das “palavras oportunas”, no momento certo.   Somos, num certo grau, dóceis e fracos,  sujeitos às manipulações continuadas dos mais expertos.

Em todos os tempos um grupo dominou o outro para seu benefício. Assim é que na maioria das culturas os homens jovens e brancos, sadios, ricos, saudáveis, inteligentes e cultos, exploraram as mulheres, os velhos, os negros, os pobres, os doentes, os deficientes mentais e os incultos. Este é o nosso destino; obedecer, sem refletir e sem o desejar, à vontade dos mais sagazes e com maior poder.

Os comerciantes seduzem o cidadão-alvo com promessas de férias maravilhosas, juventude eterna, dentes brancos e bonitos, frescor no corpo, cabelos sedosos e brilhantes, alegria irradiante ou tola, lábios sensuais, bustos e bumbuns belos e firmes. Para quem? Para uma população sem dinheiro, de idosos, desnutridos, feios, banguelas, nanicos, carecas, despeitados e desbundados.

Já os políticos usando as palavras adequadas e comoventes, seguindo o padrão da propaganda, oferecem-nos a justiça social, os empregos com salários altos para todos, a assistência médica de alto padrão, a proteção à criança abandonada e ao idoso, uma justiça digna para os grupos marginalizados, uma alimentação abundante e barata. Em resumo, tudo o que  é desejado por todos nós.

Para quem? Para uma maioria que nunca imaginou poder alcançar tais coisas, compostas dos sem-casas, pivetes, negros, mulheres, crianças, velhos, desempregados, analfabetos, aleijados, deficientes mentais, etc., ou seja, pessoas com menos oportunidades e estigmatizadas socialmente. Vivemos ainda sonhando com o paraíso perdido.

Os conhecidos manipuladores do povo, nos seus discursos, esforçam-se como podem para estimular e conservar as crenças existentes entre a população, as normas vigentes, as prescrições de conduta e, por que não, a ignorância popular.

O poder de uns se assenta exatamente às custas de crenças supersticiosas, na irracionalidade do povo que o impede de sair do seu estado de indigente de conhecimento.

O povo inocentemente adota um sistema de ideias (crenças, tradições, princípios e mitos) interdependentes, sustentadas por um grupo social de qualquer natureza ou dimensão, as quais refletem, racionalizam e defendem os próprios interesses e compromissos institucionais, sejam estes morais, religiosos, políticos ou econômicos.

Mesmos os políticos chamados de mais “avançados”, ou da esquerda,  cegados pela tradição, defendem no seu programa de governo, a melhoria dos empregos, salários, assistência à saúde, etc., mas nunca uma mudança do modo de pensar mais profundo do operário e do lavrador.

Quando se fala em melhoria do ensino, trata-se apenas de melhorar a capacidade de compreensão da leitura de instruções para que este saiba utilizar melhor o maquinário da empresa. Com isso aumenta a produção, a leitura de revistas e jornais que precisam ser vendidas, de propagandas diversas e, deste modo, haja mais consumo com mais lucro para as empresas.

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