Um comentário para “As Mulheres: O Silêncio das Inocentes”

  1. Como o mestre me chamou para a briga, entrei. Existe em Teologia uma matéria chamada hermenêutica, cuja primeira regra diz: -“Bíblia se interpreta com Bíblia”. A segunda, decorrente desta diz: -“Todo texto examinado fora do contexto é pretexto”. Então, vou usar estas duas regrinhas básicas para rebater a proposição do nobre mestre.
    O Padre Antônio Vieira, nas sua pérolas literárias tem uma frase que diz assim: -“Atentai no que Ele disse, mas atentai também no que Ele não disse”. Então, não existe texto nenhum em todas as Sagradas Escrituras e nem nos livros deuterocanônicos qualquer indicação de que a mulher seja inferior ao homem. Desafio qualquer estudioso sério das Escrituras Sagradas a me mostrarem qualquer citação neste sentido. Portanto, o que o apóstolo Paulo falou, não tem absolutamente nada a ver com inferioridade da mulher.
    Jesus destacou muitíssimo o valor da mulher, de uma forma particular em seu ministério.No evangelho segundo São Lucas, note bem, o médico amado, capítulo 8, versos 1 a 3, o narrador destaca 3 delas em especial, mas fala também de muitas outras, ou seja inomináveis e incontáveis. Paulo cita em seu ministério algumas mulheres nobres e o próprio São Lucas, autor dos Atos dos Apóstolos, mostra que na atividade missionária de Paulo muitas mulheres nobres se convertiam ao evangelho de Cristo(Exemplo: Atos, capítulo 17, verso 4). Veja-se que o texto aqui fala de Tessalônica e não de Atenas, a Atenas das “mulheres” cantadas e decantadas por Chico Buarque.
    Hoje fala-se muito em gestão disto, daquilo e daquiloutro. O que Paulo apóstolo afirmou sobre a submissão das mulheres diz respeito à gestão do lar e da igreja, também um termo extraído da democracia grega, a “ekklesia”, os “chamados para fora”, diferente da “anarquia” ou falta de governo. Toda empresa que se preza tem que ter direção e o lar é a principal. A igreja vem logo em seguida e por isto ela tem permanecido pelo menos durante 2000 anos.
    Paulo fala quem é o líder da empresa e quem vem logo após. Aqui não vou nem apontar os benefícios de tal “hierarquia”, no grego, do “governo do templo sagrado”, termo que foi emprestado para o uso secular.
    Imagine o ilustríssimo mestre se o Brasil não tivesse presidente, ou os Estados Unidos, ou qualquer democracia existente no mundo. Se outras religiões ou mesmo a própria igreja fez com que se abusasse do poder, não é problema nem de Paulo e nem de Cristo. Não confundamos “inocência” com burrice, termo que o mestre emprega muito bem. As religiões ou seitas onde há este abuso, ignoram o “conhecimento” que nos foi outorgado pela Escritura Sagrada. Falta de conhecimento não é inocência; é ignorância. No governo ou liderança do lar, há papéis e responsabilidades, como em toda a empresa decente. Assim também na igreja e na sociedade “civilizada”. Não estou chamando índio de “incivilizado”, porque eles também seguem o “governo sagrado” e por isto persistem até hoje, apesar de toda a perseguição movida contra eles, às vezes até a partir da própria “igreja”.
    Seguindo o raciocínio, o mestre afirma que “Infelizmente” o apóstolo Paulo ainda tem muitos seguidores. Seria interessante fazer uma pesquisa junto às próprias mulheres se elas são infelizes por obedecerem a esta lógica de gestão exarada por Paulo apóstolo, ou se são felizes. Porque do contrário, o mestre Galeno está respondendo por elas, o que, tenho certeza que não é o seu objetivo.
    Outra questão. Como os pais podem escolher nomes “meigos” para filhas “meigas”, se o temperamento das filhas não se evidencia logo de imediato? Seriam os pais adivinhos? Prognosticadores? Profetas?
    Exemplo: Meu nome é Paulo, que quer dizer Pequeno. Meço hoje 1 metro e 82 centímetros. Será que meus pais erraram na escolha do nome? E já fui pequeno, na medida do exército já foram computados 1 metro e 84centímetros na minha estatura e agora, com a junção dos discos vertebrais, com o passar dos anos estou diminuindo de tamanho. Também as mudanças hormonais determinaram alguns comportamentos mais ou menos assertivos, razão pela qual a teoria da “meiguice” é infundada e não perene.
    Mais ainda. Conta-se que boa parte dos sábios gregos era homossexual. Foi a eles que São Paulo foi enviado. Atribui-se um parentesco de Paulo com Sêneca, embora a literatura não diz que este fosse homossexual. Mesmo os sábios gregos faziam a distinção entre homem e mulher e isto não é coisa de judeus, como querem alguns.
    Também acho uma bobagem pai repreendendo filho ou filha por expectativas culturais, quanto ao desempenho de atividades ditas “masculinas ou femininas”. Quem dita a conduta masculina ou feminina não é a cultura e sim o “ser no mundo” da filosofia existencialista, da qual eu sou um representante.
    Mas o mundo pós-moderno não mais tem estas categorias de atividades masculinas e femininas, haja vista a presença de uma presidente em nosso país e em vários outros do mundo. Este modo de criação já não existe mais nos países globalizados. Contudo, a “hierarquia” postulada por São Paulo permanece, porque continua sendo um modelo de gestão eficaz. Compare, por exemplo, as famílias desgovernadas e as governadas. Há situações em que a mulher precisa governar e a Palavra de Deus apóia isto.
    Há mulheres chamadas virtuosas, como no caso da Escritura Sagrada em Provérbios 31, versos 10 em diante, onde a mulher, além de cumprir os seus deveres domésticos é empreendedora, administradora eficaz(porque ela não apenas dá conta do recado em casa, mas também em seus negócios e até contribui para uma melhor auto estima do marido).
    Portanto, com todo o respeito, o mestre foi um mau católico, porque não conhece o contexto geral das Escrituras, ou então, está usando o texto como pretexto. O próprio Direito estabelece as mesmas regras hermenêuticas da Teologia, considerando como sofismas todas as interpretações que fujam às mesmas.
    A ciência até pouco tempo distinguia a predominância do hemisfério cerebral direito nas mulheres e do esquerdo nos homens. Pelo menos foi o que aprendi com o ilustre mestre nas aulas de Psicofisiologia da Universidade Federal de Minas Gerais., ano de 1973, com o Professor Carlo Américo Fattini em Anatomia e com o Professor Ângelo Machado em Neuranatomia.
    Como a ciência está sempre em mutação, devido a novas descobertas, ela pode deter a palavra mais recente, mas a última palavra ainda continua sendo a divina, que por sinal, tem permanecido pelos séculos afora.

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